Ex-deputado dirigia a 167 km/h quando bateu carro, diz laudo

Ele foi indiciado por duplo homicídio com dolo eventual; dois jovens morreram no acidente, no dia 7 de maio

Evandro Fadel, O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2009 | 15h55

O ex-deputado estadual do Paraná Fernando Ribas Carli Filho dirigia seu Passat importado a cerca de 167 quilômetros por hora, em uma via cujo limite é de 60 quilômetros, no Bairro Campo Comprido, em Curitiba, quando atingiu um Honda Fit e matou Carlos Murilo de Almeida e Gilmar Rafael Souza Yared, na madrugada do dia 7 de maio. No inquérito concluído nesta terça-feira, 11, o delegado Armando Braga de Moraes Neto, da Delegacia de Delitos de Trânsito de Curitiba (Dedetran), indiciou Carli Filho por duplo homicídio com dolo eventual (quando assume o risco de produzir resultado indesejado).

 

Segundo ele, a velocidade de 167 km/h é uma média, visto que o laudo do Instituto de Criminalística apontou que há um desvio padrão de seis quilômetros, ficando entre 161 e 173 km/h. Além disso, o deputado estava com 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue. O Código de Trânsito, no artigo 306, estipula que valores acima de 6 decigramas caracterizam crime. O exame toxicológico descartou existência de anfetaminas ou cocaína. Carli Filho ainda estava com a carteira de habilitação suspensa em função de ter acumulado 130 pontos por infrações de trânsito. Por não ter recorrido em sete das 30 multas nos últimos seis anos, a carteira estava cassada.

 

O delegado afirmou, ainda, que, pelos laudos, o então deputado precisava de 230 metros de distância para perceber a existência de um perigo iminente. Devido à velocidade, o Passat acabou decolando e atingiu o outro carro a uma altura de cerca de um metro do chão. "Com certeza, a altíssima velocidade somada à influência alcoólica foram as causas deste gravíssimo acidente de trânsito que tirou a vida de dois jovens", disse Moraes Neto. Ele disse não ter encontrado motivos legais para pedir a prisão preventiva de Carli Filho, visto que não representaria perigo de conturbação da ordem pública e nem estaria coagindo testemunhas.

 

O inquérito, com 668 folhas, será enviado na quinta-feira ao Ministério Público que, anteriormente, já tinha se posicionado pelo indiciamento por dolo eventual. A denúncia segue, então, para a 2ª Vara de Trânsito de Curitiba, que decide pela abertura de processo. Se o entendimento do juiz for de dolo eventual, o ex-deputado deve ser julgado pelo Tribunal do Júri. A pena prevista é de 6 a 20 anos de prisão. Ao ser ouvido pelo delegado, ainda em São Paulo, onde se recuperava de ferimentos, Carli Filho disse que não se lembrava de nada no dia do acidente.

 

Os pais de Yared, acompanhados do advogado Elias Mattar Assad, estiveram na delegacia para conversar com o delegado sobre o inquérito. "Saímos satisfeitos", disse a mãe de Gilmar, Cristiane Yared. Ela afirmou que espera, a partir de agora, que a justiça seja feita. "Meu filho, os mortos, não necessitam de justiça. Quem necessita de justiça somos nós, é a sociedade que continua viva", destacou. "Nós queremos uma sociedade melhor para todos e vamos lutar para que a impunidade no trânsito não ocorra."

 

Carli Filho renunciou ao cargo de deputado estadual, quando a Assembleia Legislativa começava a analisar a situação no Conselho de Ética, com vistas a uma cassação de mandato. Atualmente, ele está se recuperando em Guarapuava, na região central do Estado, onde moram seus familiares. O advogado que o defende, Roberto Brzezinski, só vai comentar as conclusões do inquérito quando puder analisar os autos.

 

Atualizado às 19h11 para acréscimo de informações.

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