Ex-deputado do Paraná é denunciado

Se Justiça acatar, Carli Filho pode ser levado a júri popular

Evandro Fadel, CURITIBA, O Estadao de S.Paulo

28 Agosto 2009 | 00h00

O Ministério Público do Paraná apresentou denúncia, anteontem, contra o ex-deputado estadual Fernando Ribas Carli Filho, por duplo homicídio qualificado com dolo eventual, dirigir embriagado e violar a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Alcoolizado e em alta velocidade, segundo laudos, o ex-deputado provocou acidente em que morreram Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo de Almeida, em 7 de maio.O juiz da 2ª Vara de Delitos de Trânsito de Curitiba, Carlos Henrique Licheski Klein, determinou o envio dos autos para distribuição a uma das duas varas do Tribunal do Júri. Os promotores Danuza Nadal e Marcelo Balzer Correia, que assinam a denúncia, se pronunciaram por meio de nota. "Em 14 anos de atuação no Ministério Público, sendo os últimos dois na Promotoria de Delitos de Trânsito, este foi o caso de infração no trânsito mais violento em que atuei", destacou Danuza. A denúncia diz que "por volta de 0h15, ele (Carli) saiu de um restaurante no bairro Batel, onde havia ingerido diversas taças de vinho, dirigindo seu veículo, mesmo após ser advertido de que não estava em condições para conduzir veículo automotor, por causa de seu aparente estado etílico e mesmo ciente de que geraria risco à segurança do trânsito". Laudos mostraram que ele tinha concentração de 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue. Ele dirigia mesmo com a CNH suspensa.No documento, os promotores afirmam que, cerca de 35 minutos depois, num cruzamento, ele passou com seu Passat a uma velocidade entre 161 e 173 km/h. Ali eram permitidos 60 km/h. O veículo teria decolado, atingindo o eixo traseiro do Honda Fit dirigido por Yared, que ficou impossibilitado de qualquer manobra defensiva, motivo pelo qual o MP considerou se tratar de homicídio qualificado. Yared e Almeida, morreram na hora.O advogado Roberto Brzezinski, que defende Carli, não comentou a denúncia. Caso ela seja recebida pela Justiça, testemunhas e o réu serão ouvidos. Após as alegações finais de cada uma das partes, o juiz poderá determinar que o caso vá a júri popular. Carli renunciou ao mandato de deputado antes de o COnselho de Ética analisar o caso, o que poderia resultar na cassação e perda dos direitos políticos.

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