Ex-deputado é executado no Rio

Ari Brum, que assessorava o governador Sérgio Cabral, foi assassinado com 15 tiros de fuzil, quando dirigia carro oficial

Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

19 de dezembro de 2007 | 00h00

O ex-deputado estadual e assessor da Secretaria Estadual de Governo, Ary Brum, de 60 anos, foi executado ontem, pouco antes das 11 horas, com pelo menos 15 tiros, na Rua Escobar, em São Cristóvão (zona norte) quando trafegava pelo viaduto de acesso à Linha Vermelha.A polícia não tem dúvidas de que a morte foi encomendada. De acordo com os peritos, pelo menos 26 tiros de fuzil 762 foram disparados contra o Santana Preto oficial que Brum dirigia. Segundo uma testemunha, o carro foi abordado por criminosos em um Honda Fit e em uma moto. Em uma ação rápida, os assassinos deram uma rajada de balas, o carro se desgovernou por 50 metros, bateu nas muretas de proteção, parou e recebeu uma segunda seqüência de disparos. Os bandidos não roubaram nada e fugiram rapidamente. "Foi um trabalho de profissional. Recolhemos apenas fragmentos de cápsulas e isso mostra que os tiros foram certeiros", observou um perito do Instituto de Criminalística Carlos Éboli. A maioria dos tiros atingiu o tórax de Brum e o rosto, que ficou desfigurado. A polícia não descarta nenhuma hipótese, mas investiga crime político ou ligado a disputa de terras no município de Cachoeiras de Macacu, na Região Serrana, onde Brum era cotado para a disputa da Prefeitura nas próximas eleições. O aposentado Altacyr Brum, irmão do político, disse em depoimento na 17ª Delegacia de Polícia de São Cristóvão que o ex-deputado "não tinha inimigos". Amigos da família estranharam a ausência de seguranças que costumavam acompanhar diariamente o ex-deputado. O crime chocou a cúpula do poder estadual. Ary Brum começou a vida profissional como segurança do empresário Amador Aguiar, fundador do Bradesco. Policial militar reformado, foi deputado estadual pelo PSDB, entre 1995 e 1999, seguindo os caminhos do pai, o deputado Darcy Brum. Filiou-se ao PMDB e atualmente era assessor da Secretaria de Governo, no Palácio Guanabara. O governador Sérgio Cabral não divulgou nota. Sua passagem pela Alerj foi marcada pela denúncia que fez, em 1998, contra colegas, que tentavam subornar deputados para garantir a privatização da Companhia Estadual de Águas e Esgoto (que permanece estatal). Em uma das conversas gravadas por Brum, o deputado Aluizio de Castro (que seria cassado) prometia até R$ 80 mil por voto. COLABOROU CLARISSA THOMÉ

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