Ex-diretor dava três tipos de alerta a Lula

A presidente Dilma Rousseff quer repetir no seu governo algo que era prática corrente na gestão de Lula: o compartilhamento de informações mínimas sobre as operações da Polícia Federal. Uma forma de não se surpreender com os esquemas de corrupção descobertos na administração pública.

Vannildo Mendes, O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2011 | 00h00

A doutrina policial tem um mecanismo legal que rege suas operações. Pela regra, cada esfera do Estado só precisa saber um mínimo necessário. O normal é o ministro da Justiça, mesmo sendo superior hierárquico da PF, não ser informado das investigações.

Por conta desse procedimento, a relação entre PF e o Palácio do Planalto sempre foi tensa. Para suavizar essa convivência, o ex-diretor da PF Paulo Lacerda criou uma fórmula salomônica que compatibilizava o sigilo das investigações com a exigência do governo por informações prévias. Lacerda passou a centralizar as grandes operações na Diretoria de Inteligência Policial (DIP). Quando recebia dados das investigações, dava um alerta para o ministro da Justiça. Nessa troca de informações, o governo não era avisado sobre quem seria preso ou qual ministério seria alvo da PF. Sinalizava apenas que haveria uma grande operação envolvendo integrantes do governo. O ministro repassava essas informações para o presidente.

Para facilitar essa comunicação, foi criada uma escala informal de gravidade: A, B ou C. Quando a operação era de nível A, o presidente cancelava compromissos e se preparava para a repercussão. Com a saída de Lacerda e a chegada de Luiz Fernando Corrêa, a tática foi alterada. A DIP foi desidratada e as operações foram descentralizadas. A vantagem: o foco das crises políticas saiu da sede da PF em Brasília. A desvantagem: a decisão deu excesso de autonomia para os superintendentes e delegados.

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