Ex-diretor de Bangu confirma versão de Chiquinho da Mangueira

O ex-diretor do presídio Bangu 3, Lafaiete Fragoso, disse hoje que o secretário estadual de Esportes do Rio, Francisco de Carvalho, o Chiquinho da Mangueira, só esteve na unidade quatro vezes durante sua administração, que foi de setembro de 1997 a agosto de 1999. Ele afirmou também, em depoimento de uma hora e meia na Comissão de Segurança da Assembléia Legislativa (Alerj), que não tinha conhecimento das relações de amizade entre Chiquinho e os traficantes Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, e Alexander Mendes da Silva, o Polegar, presos em Bangu 3.O secretário foi acusado pelo ex-comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar (São Cristóvão), tenente-coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, de pedir uma trégua no combate ao tráfico no morro da Mangueira, onde Chiquinho tem um projeto social desde 1987. Agentes penitenciários que trabalhavam em Bangu 3 naquele período afirmaram, em depoimento à comissão na semana passada, que o secretário não só visitava Tuchinha e Polegar nas celas, como distribuía convites para os desfiles de carnaval no Sambódromo e presentes para os presos.Segundo o presidente da comissão, deputado Flávio Bolsonaro (PP), Fragoso confirmou a versão de Chiquinho de que este só foi ao presídio a pedido da direção para promover eventos esportivos entre os detentos e afirmou não saber da denúncia dos agentes. O deputado, que considerou o depoimento de Fragoso como "figurativo", estranhou o fato de o secretário só ter projeto esportivo com presos de Bangu 3. "Por que esse trabalho de socialização só era feito naquela unidade? É ali que estão os grandes traficantes do morro da Mangueira. A gente vê claramente que o ex-diretor é mais um a favor de Chiquinho. Ele veio aqui hoje para defendê-lo", disse.Bolsonaro disse ainda que Fragoso foi exonerado do cargo assim que foram divulgadas denúncias de irregularidades na sua gestão. Entre elas, o superfaturamento nos pedidos de comida para os detentos e a regalias para eles.

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