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Ex-diretor de presídio diz que PCC influencia decisões de secretaria

"O Primeiro Comando da Capital (PCC) influencia nas decisões da Secretaria da Administração Penitenciária." A afirmação foi feita ontem por José Antônio de Noronha, ex-diretor-geral do Centro de Detenção Provisória 1 (CDP) de Osasco, na Grande São Paulo, à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Carcerário. Noronha foi exonerado do cargo em 11 de abril deste ano, quando os 2.187 presos do CDP 1 se rebelaram e quebraram as instalações da unidade. O ex-diretor confirmou ao presidente da CPI Carcerária, deputado Neucimar Fraga (PR/ES), que a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) o afastou da direção da unidade para atender à reivindicação do crime organizado.De acordo com Noronha, o secretário o chamou e alegou que o estava afastando do cargo para garantir sua integridade física. Isso teria sido feito após interceptação telefônica na qual um integrante do crime organizado ameaçava matar o então diretor-geral do CDP 1. O deputado Neucimar Fraga mandou requisitar à SAP a íntegra da degravação. Fraga quer saber se a ameaça foi mesmo feita. Noronha, porém, afirmou à CPI não acreditar nessa versão. Ele explicou que trabalha no sistema prisional há 16 anos e há 7 dirigia o CDP. Argumentou que se a SAP estivesse preocupada com sua integridade física, também afastaria seus dois filhos, que trabalham na mesma unidade. Noronha foi taxativo: "Fui afastado porque não faço concessões ao crime organizado." Ele contou que, no dia da rebelião, solicitou a presença da Tropa de Choque da PM na unidade, mas não foi atendido. Para ele, a superlotação gerou o motim. O CDP tem 768 vagas, mas quase o triplo de presos.A SAP foi procurada, mas não se manifestou sobre as declarações de Noronha.

Josmar Jozino, O Estadao de S.Paulo

18 de junho de 2008 | 00h00

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