Ex-diretora de banco suíço foge de perguntas

'Não vou falar nada. Nem sei se eu a conheci', afirma Esther Kanzig, do UBS, sobre Roseana Sarney

Jamil Chade CORRESPONDENTE GENEBRA, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2010 | 00h00

Assustada e visivelmente irritada com as perguntas, a ex-diretora do UBS em Zurique Esther Kanzig se recusou a dizer ao Estado se conhecia a governadora do Maranhão, Roseana Sarney. Mas ela deu claras indicações de que sabia sobre as informações reveladas pela reportagem do Estado no fim de semana. "Não vou falar nada sobre esse assunto e nem se eu a conheci. Não tenho nada a dizer", afirmou.

O Estado publicou troca de e-mails em que se comunica um pagamento efetuado no exterior logo após a liberação dos recursos à família Sarney no Brasil. O e-mail cita uma mulher de nome Esther. Trata-se de Esther Kanzig, diretora do banco UBS em Zurique naquela ocasião.

Esther se aposentou do UBS há um ano, deixando em seu lugar um funcionário que passou a atender clientes brasileiros com um português impecável.

A reportagem conseguiu o telefone residencial da ex-diretora, que continua vivendo em Zurique. Mas ela se recusou a seguir a conversa telefônica depois de saber do que se tratava. "Estou muito ocupada", disse.

Questionada se poderia atender a reportagem algumas horas depois ou uns dias depois, Esther apenas retrucou: "Vou continuar ocupada".

A assessoria de imprensa do banco suíço também disse não ter nada a declarar sobre os documentos.

O UBS tem ampliado sua atuação sobre o mercado brasileiro nos últimos anos, em busca de grande fortunas do País. Neste ano, gastou mais de US$ 100 milhões para ter uma base de operações no Brasil.

Processos. Nos últimos anos, o UBS esteve envolvido em polêmicas e processos judiciais por ter ajudado clientes a driblar o fisco de seus países e lavar dinheiro na Suíça.

Nos Estados Unidos, o banco foi condenado e teve de pagar uma multa milionária às autoridades americanas em 2009 por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Um de seus banqueiros acabou preso nos Estados Unidos e as relações entre a administração de Barack Obama e a Suíça chegaram a se estremecer.

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