Ex-estagiária acusa militar de tentativa de estupro

A ex-estagiária do Parque de Material de Eletrônica da Aeronáutica (Pame), Paula, de 18 anos, que acusa o tenente-coronel Elídio Felix da Silva Neto de tentar estuprá-la, afirma não ser a única vítima do oficial. Em audiência hoje no Ministério Público Militar (MPM) Paula garantiu que o tenenete-coronel teria feito a mesma coisa com uma outra moça, de nome Renata. O promotor Otávio Bravo disse que a ex-estagiária não entrou em detalhes. Bravo observou que o comparecimento ao MPM foi uma iniciativa da própria ex-estagiária, que repetiu a mesma versão dada para o caso no Inquérito Policial Militar (IPM), instaurado no Pame, unidade na qual em que teria ocorrido o crime. Além de ter protocolado a acusação no âmbito militar, Paula registrou ocorrência na Delegacia de Atendimento à Mulher, com denúncia de atentato violento ao pudor. De acordo com o relato da ex-estagiária, o tenente-coronel Silva Neto a levou para uma sala de xerox do Pame e tentou estuprá-la. Diante de sua reação - Paula ameaçou gritar -, o oficial teria se masturbardo na sua frente. Otávio Bravo informou que enviou ofício requerendo a cópia do inquérito instaurado no Parque de Material Eletrônico da Aeronáutica para verificar se os procedimentos tomados foram adequados, o teor dos depoimentos dos envolvidos e se haveria alguma outra pessoa que teria deixado de ser ouvida. O promotor esclareceu que ainda não tem elementos suficientes para tomar uma decisão. Mas declarou ter tipo ?boa impressão? das declarações feitas pela ex-estagiária. ?Não faz sentido uma menina de 18 anos, dentro de um ambiente militar, fazer acusações gravíssimas contra um oficial?, justificou. Bravo acrescentou que de acordo com suas declarações, Paula ficou prestando depoimento por 5 horas no IPM. ?É muita pressão para alimentar uma mentira de tal gravidade?, completou. Dependendo da análise que faça dos depoimentos, o MPM pode estender a investigação; oferecer denúncia contra o oficial ou, ainda, determinar o arquivamento das investigações. Quanto ao segundo-sargento Alexandre de Souza Pires, que foi preso administrativamente por ter orientado a ex-estagiária a denunciar a suposta tentativa de estupro, o promotor explicou que o Comando da Aeronáutica entendeu que houve quebra de regulamento porque a denúncia deveria ter sido feita diretamente pelo segundo-sargento. Ressaltou, no entanto, ter ?dúvidas quanto à esta punição?. Para suspendê-la, porém, somente um juiz federal.

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