Ex-estagiária pega 30 anos por matar colega

Jovem teria tentado assassinar mais 2 mulheres por causa de ex-amante

Rejane Lima, O Estadao de S.Paulo

07 Agosto 2030 | 00h00

Santos - A ex-estagiária de Administração de Empresas Carolina de Paula Farias, de 24 anos, foi condenada ontem a 30 anos e 4 meses de reclusão por assassinar sua ex-colega de trabalho Mônica Tamer Cruz de Almeida, de 42 anos, e tentar matar outras duas mulheres, em 2005. O júri decidiu pela condenação por 5 votos a 2. O julgamento, no Fórum de Santos, na Baixada Santista, teve início às 10 horas de terça-feira e terminou às 2h10. Carolina foi estagiária da indústria Petrocoque, em Cubatão, e teria cometido os crimes porque pretendia ser contratada pela empresa e ficar mais próxima do gerente - e marido de uma das mulheres que tentou matar -, seu ex-amante. Os jurados consideraram que os crimes foram cometidos por motivo torpe, o que agravou as penas. A maior delas foi de 16 anos e quatro meses, pelo assassinato de Mônica. A vítima foi executada a tiros em um ponto de ônibus em Santos, em dezembro de 2005. Pela tentativa de homicídio da também colega Renata Borelli, de 25 anos, na Rodovia dos Imigrantes, em novembro do mesmo ano, Carolina pegou nove anos e quatro meses. A pena mais branda foi dada pelo primeiro dos crimes, de setembro de 2005, quando a ex-estagiária tentou matar Maria Aparecida de Campos, mulher do seu ex-amante. Oswaldo Rodrigues de Almeida, viúvo de Mônica, disse que ficou satisfeito com o julgamento e que agora só pensa nos filhos. "Saiu aquela angústia", disse, chorando, após a sentença. Durante as mais de 16 horas de julgamento, dez testemunhas depuseram. Familiares e amigos de Mônica usavam camisetas brancas com uma foto da vítima com sua filha no colo. Já os amigos de Carolina estampavam a foto dela em uma camiseta com a mensagem "a verdade surgirá", pois a acusada, que era ré-confessa, negou ter participado dos crimes na hora do julgamento. A mãe da ex-estagiária desmaiou quando a sentença foi lida e teve de ser socorrida. Além de Carolina, outras quatro pessoas são acusadas de participar dos crimes. Elas serão julgadas nos próximos meses. O promotor de Justiça Octávio Borba de Vasconcelos disse que, embora Carolina tenha tentado negar a sua participação no crime durante o julgamento, as provas eram bastante coesas. "A acusada Carolina confessou uma vez junto com a sua cunhada. E repetiu a confissão de um dos delitos junto de seu advogado", explicou Borba, que considerou que os jurados foram "sensíveis e acreditaram na provas". O advogado de Carolina, Alex Ochsindof, afirma ter ficado surpreso e revoltado com o resultado e tentará anular o julgamento. "O promotor não refutou que houve torturas em sede policial (para que Carolina confessasse os crimes) e estou mais surpreso ainda por cinco dos jurados terem legalizado essa tortura." O advogado disse que, no recurso, pedirá que a ex-estagiária seja absolvida.

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