Ex fará ''marketing'' da reforma política

PT escala Lula para o debate com a sociedade e partidos em favor do financiamento público de campanhas eleitorais

Malu Delgado e Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

19 Abril 2011 | 00h00

O comando do PT escalou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como garoto-propaganda da reforma política com o objetivo central de tentar quebrar resistências na sociedade ao financiamento público de campanhas, bandeira do partido.

Em reunião ontem com lideranças do PT em São Paulo, Lula discutiu estratégias para envolver a sociedade civil no debate. Será traçado um cronograma de reuniões com presidentes de partidos, governadores e agentes políticos pelo País. O PT vai definir as datas e eventos no encontro do diretório nacional que será realizado nos dias 29 e 30.

O ex-presidente afirmou, segundo presentes na reunião, que o financiamento público exclusivo de campanha é o modelo ideal, mas certamente não passará no Congresso. Lula alertou os políticos da sigla para a necessidade de debater a reforma política sem açodamento, mas com senso de realidade - não há consenso entre os partidos para aprovar, por exemplo, mudanças na Constituição, que exigem maioria qualificada na Casa.

O objetivo, na avaliação dos petistas, é começar a discussão a partir dos pontos de consenso e levar a proposta para votação no Congresso até setembro. "Vamos defender as nossas ideias, mas queremos ouvir os partidos", disse o presidente nacional interino do PT, deputado estadual Rui Falcão (SP).

Lula se reuniu ontem com 13 líderes do PT no Instituto Cidadania, local onde o ex-presidente tem feito suas articulações políticas. Em mais de duas horas de reunião, as lideranças fizeram relatos ao ex-presidente dos pontos já aprovados e discutidos nas comissões especiais da reforma política na Câmara e no Senado e enumeraram as resistências dos partidos a cada tema.

"A nossa disposição é tornar esses temas claros ao público", disse o presidente interino do PT. De acordo com Falcão, o ex-presidente terá duas agendas: uma com os partidos políticos e outra com as organizações civis. Entre as legendas, não está descartada a possibilidade de o ex-presidente discutir o tema também com a oposição, representada por PSDB, DEM e PPS.

"O nosso sentimento é de que este é o momento (de fazer a reforma)", avaliou o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira. O deputado petista acredita que este é o melhor momento para a reforma porque precede a eleição. "Lula é uma liderança mundial. E a participação dele nesse processo é fundamental."

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