Ex-funcionário de funerária não quer indenização em caixões

Após dois leilões sem sucesso, José Mário Dehon Triunfo, de 29 anos, que ganhou uma ação trabalhista contra a Funerária Santa Terezinha, em Bebedouro, na região de Ribeirão Preto, não quer a indenização em bens materiais, ou seja, os dez caixões da empresa que foram penhorados pela Justiça. Quer dinheiro. "Não como caixão", diz Triunfo. A indenização foi fixada pela Justiça Trabalhista em cerca de R$ 2.400,00 e cada caixão foi avaliado por um oficial de Justiça em R$ 280,00. Do outro lado, o dono da funerária avisa: não tem lugar para guardar os caixões. "Não tenho espaço físico e não posso guardar coisa que não é minha", diz Reginaldo de Souza.Triunfo alega que moveu a ação contra a funerária porque Souza não o teria registrado em carteira, que ele prometeu fazer um acerto e virou as costas e que não foi reconhecido por fazer os serviços (motorista, lavar defunto). Ele garante que trabalhou regularmente na funerária entre agosto de 1998 e janeiro de 2000, mas Souza alega que o "amigo" freqüentava o local e se oferecia para ajudar, porém uma vez por mês. "Nunca o subordinei a nada e, às vezes, em falecimentos, ele me acompanhava", comenta Souza.Como não tinha dinheiro para pagar a indenização, Souza disse que o caminho era quitar o débito com as urnas funerárias, das mais simples do mercado. "Era funcionário da funerária, que comprei em 1998, mas ainda estou pagando prestações", explica Souza, que nem se dispôs a recorrer da sentença judicial. "Por que ele (Triunfo) não leva os caixões para a funerária, da qual é sócio, em Taquaral?", questiona Souza. Triunfo contra-ataca: "Não é minha, serei apenas diretor dela." Porém, admite: a Funerária Nova Canaã está em seu nome. "Uma pessoa de confiança abriu a empresa em meu nome."O caso é muito comentado na cidade e Triunfo já acostumou-se com a polêmica. "Lá vai o arrematador de caixão, dá Ibope, virou rotina", brinca ele, descartando a hipótese de levar as urnas para Taquaral. "Na fábrica, pago entre R$ 40,00 e R$ 54,00, no máximo; mas por R$ 280,00 está incluído o serviço completo, inclusive com o defunto?", ironiza. Triunfo diz que, em Taquaral, irá vender urna de melhor qualidade que as penhoradas.Os dez caixões foram leiloados duas vezes. Em outubro do ano passado, nem Triunfo compareceu. Anteontem (03), ele foi, mas não houve arremate. Dinheiro? Souza diz que o movimento mensal da funerária oscila entre R$ 1 mil e R$ 1,2 mil e que não pode pagar. Trinfo também faz "bicos" como mototaxista em Bebedouro.

Agencia Estado,

04 de abril de 2002 | 09h40

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