Dida Sampaio/AE-1/10/2010
Dida Sampaio/AE-1/10/2010

Ex-governador do Maranhão morre aos 76 anos

Lago estava internado desde quarta-feira na UTI do Hospital do Coração, em São Paulo

, O Estado de S.Paulo

05 Abril 2011 | 00h00

Depois de lutar longamente contra um câncer na próstata, morreu ontem no Hospital do Coração, em São Paulo, aos 76 anos, o ex-governador do Maranhão Jackson Lago (PDT) - um antigo rival, na política maranhense, da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB). Lago governou o Estado entre 2007 e abril de 2009, quando a Justiça eleitoral o cassou por abuso do poder e compra de votos.

O corpo será levado hoje para São Luís (MA), onde, por decisão da família, será velado na sede do PDT local, partido que ajudou a formar em 1979.

Em nota oficial, a presidente Dilma Rousseff, sua colega no PDT até 2000 - quando ela se filiou ao PT -, lembrou que Lago "participou ativamente do movimento de resistência à ditadura", ao lado de Leonel Brizola. Ela lembra, também, que "eleito para a Prefeitura de São Luís em três oportunidades, chegou a ser apontado, em uma pesquisa nacional de opinião, como o melhor prefeito do País".

A governadora do Maranhão, Roseana Sarney, resumiu em um comunicado a relação dos dois: "Fomos adversários nas últimas eleições, mas nunca inimigos". A nota de seu pai, José Sarney, bem mais extensa, destaca "a coerência na defesa de suas ideias e o idealismo com que ele exerceu os vários cargos na vida pública".

Cassação. Na política do Maranhão, Lago teve seu nome ligado ao nepotismo: reuniu em seu governo mais de 20 parentes, entre eles dois irmãos, quatro sobrinhos, três primos e um genro. Sua mulher, Maria Clay, juntou ao grupo irmãos e sobrinhos.

No processo contra ele, a maioria dos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluiu que na campanha de 2006 haviam ocorrido abusos que beneficiaram tanto o governador como seu vice, ambos aliados do então governador José Reinaldo Tavares. Entre outras acusações, a oposição alegava que no ano da eleição haviam sido feitos 1.817 convênios entre os governos estadual e municipais e associações civis.

Condenado, Lago resistiu por 36 horas dentro do Palácio dos Leões, sede do governo, à espera de uma revisão da sentença pelo STF, que não veio - e ainda esperou por uma mobilização social em sua defesa, que fracassou.

Formado em medicina, ele era casado com Clay Lago, também médica, que ocupou a Secretaria de Solidariedade Humana no governo de José Reinaldo.

Antes de se eleger governador, Lago foi prefeito de São Luís por duas vezes (1989-1992 e 1997-2000). Eleito para um terceiro mandato em 2000, ficou poucos meses no cargo e saiu para concorrer ao governo do Estado. Perdeu, e só conquistou o cargo na eleição de 2006.

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