Ex-governadores devem tomar lugar de ''sem-votos'' no Senado

Eleição de 2010 marca a saída de cena dos suplentes de senadores, que chegaram a ocupar 20 das 81 cadeiras

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2010 | 00h00

As eleições de 2010 vão marcar o fim da "bancada dos sem-voto" no Senado, que chegou a ter 20 integrantes. Desconhecidos e inexperientes em eleições, os suplentes que ganharam vagas graças à saída dos titulares devem ser substituídos no plenário, a partir de 2011, por figuras tradicionais na política, principalmente ex-governadores.

Partido com maior bancada atualmente, o PMDB se posiciona para manter o posto na próxima legislatura: tem 21 candidatos competitivos em todo o País, segundo levantamento feito pelo Estado com base em pesquisas de opinião, reportagens de jornais regionais e projeções de analistas políticos e empresas de consultoria. A seguir aparecem o PT, com 16 candidatos fortes, e o PSDB, com 12.

Nos 26 Estados e no Distrito Federal, 28 ex-governadores devem se lançar candidatos ao Senado. Para poder concorrer, nove deles tiveram de renunciar ao cargo de governador em abril, por imposição da legislação eleitoral: Wellington Dias (PT-PI), Blairo Maggi (PR-MT), Aécio Neves (PSDB-MG), Ivo Cassol (PP-RO), Eduardo Braga (PMDB-AM), Wilma de Faria (PSB-RN), Roberto Requião (PMDB-PR), Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) e Waldez Góes (PDT-AP).

Os ex-governadores já largam na condição de favoritos, pelo domínio das máquinas partidárias e por serem os mais conhecidos pelo eleitorado.

Dos 13 parlamentares que ainda hoje ocupam cadeiras no Senado, apesar de não terem sido eleitos como titulares, a maioria não concorrerá ao mesmo cargo em outubro. Entre os que vão disputar, nenhum aparece como favorito.

Matemática. Analistas políticos já fazem contas para tentar mapear as intenções do eleitorado e projetar a futura composição do Senado. Mas nem todos preveem o mesmo cenário.

As bancadas do PT e do PMDB devem crescer, enquanto PSDB e DEM devem encolher, segundo as estimativas da empresa de consultoria Arko Advice e de Antonio Augusto de Queiroz, diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega muito forte às eleições, o que deve prejudicar os senadores que fizeram oposição ao seu governo", disse Queiroz.

A MCM Consultores Associados também vê o PMDB como favorito, mas não projeta um quadro tão favorável para o PT a partir de 2011. Arko e MCM preveem para os peemedebistas uma bancada máxima de 16 e 14 integrantes, respectivamente. No caso dos petistas, a projeção máxima é de 15 ou 9 senadores, conforme a empresa.

PT e PMDB estão aliados em torno da candidatura presidencial da ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, mas há a expectativa de que os peemedebistas troquem de lado caso o tucano José Serra seja o vencedor nas eleições.

Inconstância. Em tese, o presidente Lula contou com maioria no Senado em todo o seu mandato, mas dissidências na base governista fizeram com que ele sofresse derrotas na Casa. A principal, ocorrida no fim de 2007, foi a derrubada da prorrogação da CPMF, imposto que abocanhava 0,38% de cada movimentação financeira feita no País.

"O próximo presidente poderá defrontar-se com a mesma inconstância em sua base aliada que hoje aflige o presidente Lula", afirmou a MCM Consultores Associados em boletim distribuído a clientes.

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