Ex-interno aponta local de saque de R$ 40 mil

Polícia vai apurar versão de que Batista foi com o padre a agência do Santander na zona leste

O Estadao de S.Paulo

28 Outubro 2007 | 00h00

Acusado de extorquir o padre Júlio Lancellotti, Anderson Batista forneceu à polícia o endereço de uma agência bancária do Santander/Banespa, na Avenida Celso Garcia, zona leste, em que teria ido com o sacerdote para sacar R$ 40 mil. Batista disse que a retirada foi feita em outubro ou novembro de 2006 - época em que o padre já era alvo de extorsão, pela denúncia feita à polícia por Lancellotti. O rapaz também disse que, nos oito anos de convivência com o padre, ganhou de presente "de cinco a seis carros" de luxo. "Meu cliente teve, por exemplo, um Audi, um Mitsubishi e um Astra, todos entregues pelo padre Júlio", afirmou o advogado de Batista, Nelson da Costa. Segundo ele, os veículos foram registrados em nome de Conceição Eletério, mulher de Batista. "Era uma exigência do próprio padre", disse o advogado. "Ele achava que, dando bens materiais a Conceição, manteria o relacionamento com Anderson sem ser incomodado." Uma consulta preliminar feita por investigadores da 5ª Seccional no banco de dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) indicou que os carros citados por Batista já estiveram em algum momento registrados no nome de Conceição. Somados, os preços dos veículos chegam a R$ 160 mil. O advogado de Batista não soube dar detalhes sobre o depoimento de Conceição. Disse apenas que ela confirmou algumas das informações fornecidas pelo marido. Ao deixar a carceragem do 81º Distrito (Pari) na tarde de ontem, ela declarou: "Me sinto injustiçada. O padre não é o que aparenta ser na televisão. Quando o Anderson puder falar, a gente vai falar junto." Evandro dos Santos Guimarães, de 28 anos, outro acusado de participar do esquema de achaques ao padre, também disse ser inocente. O irmão de Evandro, Everson dos Santos Guimarães, foi o primeiro dos acusados a ser preso pela polícia, no dia 17. Em entrevista concedida anteontem ao Estado no Centro de Detenção Provisória 1 do Belém, zona leste, ele afirmou que, desde abril, trabalhava como faxineiro na pensão mantida por Batista. Confirmou ter tido cinco encontros com o padre para buscar envelopes com dinheiro endereçados ao patrão. Embora soubesse a quantia que levava, alegou desconhecer o motivo das remessas. A caçada aos acusados de extorquir dinheiro do padre mobilizou mais de uma dezena de policiais do Setor de Investigações Gerais (SIG) da 5º Seccional na sexta-feira. Após horas de campana em frente ao cortiço em que Batista vivia, na Rua Catumbi, no Brás, os investigadores decidiram seguir uma mulher, não identificada, que saía do imóvel. Foi ela quem conduziu a equipe ao apartamento em que Batista, Conceição e Evandro se escondiam. Segundo o delegado assistente do SIG, Marco Antonio Bernardino dos Santos, ao avistar as viaturas o trio apagou as luzes do apartamento para se esconder. "Mostramos os mandados de prisão ao porteiro, que sabia do caso pela televisão e se prontificou a nos ajudar." O policial disse que Conceição tentou fugir pulando para as sacadas dos prédios vizinhos. Cercada, entregou-se. Depois de prestarem depoimento durante toda a madrugada na 5ª Seccional, os acusados foram levados ao 31º Distrito (Vila Carrão), onde aguardarão vaga num CDP. Para evitar agressões de outros presos, Batista está detido numa cela à parte. BRUNO TAVARES, CAMILLA HADDAD E RODRIGO PEREIRA

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