Ex-jogador do São Bento fica preso por engano

O gerente de vendas e ex-jogador Edson Luiz Batista, de 45 anos, que na década de 90 defendeu o São Bento, de Sorocaba, passou um dia e uma noite na cadeia por falha da Justiça. Ele teve o carro furtado, domingo, 24, e quanto fazia o boletim de ocorrência na Delegacia Participativa, foi surpreendido com a notícia de que era procurado e, naquele momento, estava recebendo voz de prisão. O delegado que o atendia descobriu que Batista tinha contra si um mandado de prisão expedido em maio de 1998 pela 2ª Vara Cível de Sorocaba. O ex-atleta só foi solto na segunda-feira, 25, quando uma carcereira descobriu que a prisão estava revogada desde maio de 2000. O processo, em que havia sido condenado a 30 dias de prisão administrativa como depositário infiel, tinha sido arquivado no ano passado. Por uma falha, o mandado de prisão não foi retirado do sistema. Batista, que era ponta-esquerda do São Bento e estava na equipe que terminou o Paulistão de 92 em quarto lugar, foi levado para a Cadeia de Pilar do Sul, cidade da região, no camburão da Polícia. "Passei constrangimento, pois as pessoas me viam, algemado, pelo vidro." Na prisão, não recebeu almoço, nem jantar, e só tomou o desjejum - café com leite e pão com manteiga - na manhã seguinte. A única cela tinha 14 presos e ele foi obrigado a dormir no pátio, ao relento, sobre uma colchonete estendida no chão. "Passei muito frio e não consegui dormir", conta. Como só foi solto no final da manhã, perdeu o dia de trabalho na segunda-feira. O ex-jogador contou que só foi libertado graças ao empenho da carcereira Andréa Cândida Pires, que consultou o número do seu processo, descobriu que estava arquivado e entrou em contato com o Fórum. Era uma ação de falência de uma empresa de fios do ex-atleta, que ficou devendo a um banco e ofereceu maquinário como garantia. O banco não encontrou todos os bens e pediu a prisão administrativa do depositário, mas depois desistiu da penhora. Ele pretende entrar com ação de reparação de danos contra o Estado. "Fui submetido a uma situação de total constrangimento perante a minha família e as pessoas que me conhecem."

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