Ex-juiz teria desviado recursos de colégio

Dinheiro faz parte da indenização paga ao Porto Seguro pela Prefeitura

José Dacauaziliquá, O Estadao de S.Paulo

18 Julho 2009 | 00h00

O ex-juiz Júlio César Afonso Cuginotti é investigado sob a acusação de ter desviado R$ 592 mil da Fundação Visconde de Porto Seguro - mantenedora do colégio de mesmo nome, um dos mais tradicionais de São Paulo, localizado no Morumbi, zona sul. O dinheiro faz parte da indenização paga pela Prefeitura de São Paulo pela desapropriação de um terreno. À época do desfalque, Cuginotti era advogado da fundação. Ele foi demitido meses após a fraude ser descoberta. A investigação foi iniciada pelo promotor de Justiça Airton Grazzioli - que atua na área responsável pelas fundações de São Paulo. Seu relatório apontou que havia indícios suficientes de um crime, apropriação indébita, e Cuginotti é o principal suspeito de ter desviado o dinheiro. Por esse motivo, o caso ficou sob a responsabilidade do promotor criminal Délcio Delarco. Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), Delarco analisou o relatório feito por Grazzioli e chegou à mesma conclusão. O promotor criminal solicitou que fosse instaurado um inquérito policial. O delegado titular do 34º DP (Morumbi), Ítalo Miranda Júnior, informou que o inquérito ainda não foi concluído. Ele aguarda que o representante da fundação indique as testemunhas para que possa marcar as datas dos depoimentos. E somente depois dessa fase vai intimar o ex-juiz. O DESFALQUE Essa não é a primeira vez que o ex-juiz é acusado de desfalque. Ele pediu exoneração do cargo em 2001, quando a Corregedoria do Tribunal de Justiça começou a investigá-lo sob a suspeita de desviar dinheiro de depósitos feitos em juízo. No ano seguinte, conseguiu o direito de trabalhar como advogado. Em 2004, Cuginotti assumiu o cargo de gerente jurídico do Porto Seguro. E atuou no processo de desapropriação do terreno da Rua Deputado João Sussumu Hirata, no Morumbi, avaliado em R$ 2 milhões - sem contar a dívida com impostos abatida. O pagamento foi realizado em três depósito bancários. O desvio inicial foi de R$ 1,1 milhão, em saques que teriam sido feito pelo ex-juiz. A Justiça pediu ao banco que fizesse o rastreamento do destino de dois saques de cerca de R$ 550 mil (veja os documentos acima). De posse das informações enviadas pelo banco e fornecidas por uma auditoria, Grazzioli escreveu em seu relatório que Cuginotti "desviou ilicitamente R$ 592.576,46 para sua conta corrente pessoal". Em 9 de dezembro de 2008, o ex-juiz, que já estava afastado do cargo, foi comunicado pela direção do colégio da demissão. O documento menciona o desfalque. Por e-mail, o setor jurídico do Porto Seguro informou que a instituição contratou o serviço de auditoria independente e entrou em contato com polícia e MP. Por considerar grave a situação, o colégio não forneceria detalhes. Desde a semana passada, a reportagem tenta contato com ex-juiz. Ele informou inicialmente que não pretendia dar entrevista. No último contato, disse que estava fora da cidade a trabalho.

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