Christian Rizzi/ESTADAO
Christian Rizzi/ESTADAO

Abdelmassih sai de hospital com tornozeleira e já cumpre pena em casa

Apesar de ser condenado a 181 anos de prisão, ele conseguiu o benefício em razão de problemas de saúde

José Maria Tomazela e Renata Okumura, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2017 | 08h28

SÃO PAULO - O ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 181 anos de prisão pelo estupro de pacientes em sua clínica de reprodução, cumpre pena em sua casa, num condomínio do bairro Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, desde a madrugada deste sábado, 24. Sem escolta e monitorado por tornozeleira eletrônica, ele deixou o hospital em que estava internado, em Taubaté, interior de São Paulo, no fim da noite desta sexta-feira, 23. O ex-médico, de 73 anos, foi beneficiado com o regime de prisão domiciliar depois que laudos apontaram que ele é portador de cardiopatia grave e necessita de cuidados médicos contínuos. 

Abdelmassih obteve o benefício na quarta-feira, 21, mas permaneceu no hospital para o tratamento de uma infecção urinária. Exames mostraram que ele adquiriu uma bactéria resistente, mas o paciente deve continuar o tratamento em casa. O ex-médico não pode deixar a cidade sem autorização judicial, porém, terá de passar por exames a cada três meses. Caso sua saúde melhore, ele pode ser levado de volta para a Penitenciária de Tremembé, onde estava preso desde 2014. Na sexta, o promotor de Justiça que acompanha o caso, Luiz Marcelo Negrini Mattos, analisava a possibilidade de recurso contra o benefício. Procurado, ele não deu retorno.

A juíza Sueli Zeraik de Oliveira Armani, da 1.a Vara de Execuções Criminais de Taubaté, baseou-se no artigo 5.o da Constituição Federal que assegura aos presos “o respeito à integridade física e moral”, para autorizar a prisão domiciliar. Na mesma decisão, ela negou o pedido da defesa de concessão do indulto humanitário – o perdão judicial foi pedido em vista da gravidade das condições de saúde do condenado. O cardiologista Lamartine Ferraz, autor do laudo usado no processo, disse que, apesar de grave, a doença pode ser tratada com medicação.

O apartamento do ex-médico foi alugado por sua mulher, a ex-procuradora federal Larissa Sacco, após a prisão de Abdelmassih, no Paraguai, em agosto de 2014. Ela passou a morar no condomínio com os dois filhos gêmeos do casal. O ex-médico tem ainda quatro filhos de casamento anterior.

Estupros. Especialista em reprodução humana, Roger Abdelmassih chegou a ser condenado em 2010 a 278 anos de reclusão por 48 crimes de estupro contra 37 pacientes entre 1995 e 2008. Uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, permitiu que recorresse da sentença em liberdade. Em 2011, com a decretação de sua prisão, ele foi considerado foragido e passou a ser procurado também pela Interpol, polícia internacional.Três anos depois, o ex-médico foi preso pela Polícia Federal em Assunção, no Paraguai. No mesmo ano, sua pena foi reduzida para 181 anos em regime fechado. Desde agosto de 2014, Abdelmassih vinha cumprindo pena na Penitenciária II, de Tremembé, interior de São Paulo.

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