Ex-ministra acumula gafes em 2 semanas

Em menos de duas semanas de campanha como pré-candidata do PT, Dilma Rousseff já provocou polêmicas, como ocorreu em São Bernardo, no último sábado, quando uma fala de seu discurso foi entendida como crítica às pessoas que deixaram o País durante o período da ditadura militar, em vez permanecerem lutando, como ela havia feito.

Marcelo de Moraes de Brasília, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2010 | 00h00

"Eu não fujo quando a situação fica difícil. Eu não tenho medo da luta", disse Dilma. Supostamente destinada a atingir o pré-candidato tucano, José Serra, que se exilou no Chile, a afirmação irritou até aliados, já que muitos deles tiveram de fugir para o exterior para não serem presos.

Foi o caso, por exemplo, de líderes políticos como Leonel Brizola e Miguel Arraes, já falecidos, mas figuras veneradas até hoje por seus partidos, o PDT e PSB, respectivamente, possíveis aliados na campanha de Dilma. Ela negou, em seu Twitter, que tivesse criticado os exilados.

Dilma já tinha escorregado em outras ocasiões durante a semana. Na pior delas, aproveitou uma entrevista à Rádio Itatiaia, em Minas, para defender que os eleitores votassem numa dobradinha informal feita com o candidato tucano ao governo, Antônio Anastasia, do PSDB.

O comentário provocou irritação entre seus aliados de Minas, especialmente no senador Hélio Costa (PMDB), que lidera as pesquisas de intenção de voto no Estado e foi seu companheiro de equipe ministerial. Foi preciso que o comando do PT e a própria Dilma conversassem com Costa para serenar os ânimos.

A passagem por Minas ainda provocou outro desconforto. Após visitar o túmulo de Tancredo Neves, foi acusada pela oposição de agir com oportunismo.

Outro problema ocorreu na posse do senador Alfredo Nascimento (AM) como presidente nacional do PR. Declarações favoráveis ao ex-governador do Rio Anthony Garotinho, candidato ao governo local, não agradaram o atual governador, Sérgio Cabral Filho (PMDB).

Deslizes da petista

5 de abril

Na posse do senador Alfredo Nascimento como presidente do PR, Dilma elogia e tira fotos com ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, adversário direto de seu maior aliado no Estado, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB). "O Garotinho é um parceiro antigo, do tempo do PDT", disse

6 de abril

Em Minas, Dilma visitou o túmulo de Tancredo Neves. Foi chamada de oportunista pela oposição, já que o PT não apoiou a articulação política que levou Tancredo a ser escolhido como presidente, em 1985

10 de abril

Em discurso em São Bernardo, Dilma fez um comentário interpretado como uma crítica aos que deixaram o País durante a ditadura, como José Serra. "Eu não fujo quando a situação fica difícil. Eu não tenho medo da luta". O comentário irritou até aliados da petista, já que muitos foram exilados

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