Ex-ministros não acreditam em mudanças na política externa

A política externa, com foco na América do Sul, será mantida no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acredita o ex-ministro de Ciência e Tecnologia e decano do Instituto de Estudos Políticos e Sociais (Iepes), Hélio Jaguaribe. Para o cientista político, não há motivos para mudar a política externa e é improvável que isso aconteça. "O governo Lula tem uma política externa muito boa. A gestão doméstica é que é muito ruim", afirmou à Agência Estado.Jaguaribe critica no primeiro mandato "o neoliberalismo econômico" e "aquele compadrio, aquela gente de muito má qualidade que cerca o presidente". Para ele, Lula tem condições de fazer um bom governo se resolver "um conflito dentro dele entre sua grande inteligência e seu lado de coleguismo, de compadrio", caso faça "a escolha certa pela inteligência, contra o compadrio". Jaguaribe conta ter votado em Lula em 2002, mas não este ano "pela má conduta, por esse coleguismo". Já o ex-ministro das Relações Exteriores , embaixador Luiz Felipe Lampreia, acredita que o Brasil vai retomar e intensificar as negociações para o acordo do Mercosul com a União Européia (UE). "A União Européia é o único caminho que se apresenta agora. Vai ser explorado", disse em entrevista à Agência Estado.Para Lampreia, que também é presidente do Conselho de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), "fundamentalmente não deve haver mudança nenhuma na política externa, até porque o ministro (Celso Amorim) vai ser mantido, mas as circunstâncias mudam". Ele acha difícil um acordo com os Estados Unidos. O embaixador vê na maior presença do partido Democrata no Congresso dos Estados Unidos um fator que "talvez dificulte mais" as negociações com aquele país.Ele também vê uma "lição a tirar da Bolívia, de qualquer modo, de ter flexibilidade, mas não ter excessiva dependência de um vizinho". Ele comentou que o acordo fechado na madrugada de domingo entre a Petrobras e a boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPFB) mostra que se chegou "a um denominador comum, mas ainda falta muita coisa". Lampreia destacou dois pontos do acordo: a garantia de suprimentos de gás para o Brasil e a manutenção pela Petrobras do controle operacional dos campos de gás, com a empresa brasileira não se limitando a ser uma prestadora de serviços.

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