Ex-moradores do Palace 2 protestam contra demora da Justiça

Os ex-moradores do Palace 2 protestaram na noite desta quinta-feira contra o que consideram demora da Justiça em punir o ex-deputado Sérgio Naya. A manifestação marcou os três anos do desabamento do edifício, que deixou oito mortos e 130 desabrigados. Naya é o dono da construtora Sersan e da casa de materiais de construção Matersan que ergueram o condomínio Palace. Um palco móvel foi armado em frente ao Posto 5 da Barra da Tijuca. O estudante Pedro de Alencar Leão Martins, de 19 anos, que perdeu o pai, dois irmãos e a madrasta, se apresentou com a banda "Terceira Via". "Não estou aqui porque perdi meu pai, minhas irmãs, isso é uma coisa muito minha que nem consigo explicar. Estou aqui para lutar por Justiça, para que esse homem (Naya) não fique inpune" disse. A revolta foi o tom dos cerca de 30 ex-moradores que estiveram na praia. "O que a gente vê é que se passaram três anos de sacrifício e nada mudou", disse Léa de Oliveira. Desde que perdeu o apartamento, ela mora no Hotel Atlântico Sul, onde nasceram seus dois filhos, Nicole, de 1 ano e 10 meses e José Victor, de 4 meses. "A gente tem que dar continuidade à nossa vida, mas eu quero saber quando essas crianças terão uma casa decente." A família da presidente da Associação de Vítimas do Palace 2, Rauliete Barbosa, foi uma das poucas que conseguiram deixar o hotel. "Recebi ameaças, estava muito inseguro ficar ali", conta Rauliete. Ela vendeu dois apartamentos que mantinha alugados e comprou outro imóvel. "Os aluguéis complementavam minha renda, até isso o Naya me fez perder." Para o apartamento que Rauliete ocupava no hotel, mudou-se o casal Osvaldo e Cecília Benevide, pais do estudante Leonel, morto no desastre. "Tudo o que a Justiça tem demonstrado é que o crime compensa, pelo menos para quem tem dinheiro", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.