Ex-mulher mandou matar diretor da Friboi

Apesar da pensão de R$ 40 mil, não tolerou ser trocada por uma jovem

Josmar Jozino, O Estadao de S.Paulo

18 de abril de 2009 | 00h00

Mesmo recebendo pensão mensal de R$ 40 mil, Giselma Carmem Campos Carneiro Magalhães, de 44 anos, odiava o ex-marido Humberto Campos de Magalhães, de 43, e contratou o irmão e mais dois pistoleiros para matá-lo. O diretor executivo do frigorífico JBS Friboi foi executado a tiros na noite de 4 de dezembro de 2008, na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo. O ciúme motivou o crime. A ex-mulher não se conformava de ter sido trocada por uma jovem de 27 anos. Os quatro envolvidos no assassinato estão presos.A trama para matar Humberto Magalhães começou quando Giselma viajou para o Maranhão. Em São Luís, ela encontrou-se com seu irmão, Kairon Wolffer Alves, 52 anos. Ele havia saído da prisão em junho de 2008, após ter cumprido condenação de 18 anos por tráfico. Giselma ofereceu a ele R$ 30 mil para assassinar o diretor executivo. Alves viajou para São Paulo. Na região da Cracolândia, procurou um amigo identificado como Raimundo, também conhecido como Pica-Pau. O amigo não aceitou participar do assassinato, mas indicou Osmar Gonzaga Lima, de 49 anos, um ladrão de bancos, e Paulo dos Santos, de 40, processado por furto, roubo, estelionato e homicídio.Santos era foragido da Justiça. Em abril de 2008, ele foi beneficiado pela Justiça com a saída temporária da prisão, para passar o feriado da Páscoa em casa. Mas não retornou à Penitenciária de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, de regime semiaberto.O telefone celular do filho de Magalhães ajudou o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) a esclarecer o crime e prender a quadrilha. Giselma sabia que o ex-marido iria jantar na noite de 4 de dezembro do ano passado com o filho. Ela pegou o aparelho e entregou para o irmão.Alves telefonou do celular para o diretor e disse para ele voltar logo para casa porque o filho não se sentia bem. Preocupado, Magalhães saiu às pressas do serviço e seguiu para a Rua Alfenas, na Vila Leopoldina.Assim que chegou ao endereço, Magalhães foi abordado por Santos. O criminoso estava numa motocicleta e exigiu a chave do carro da vítima para simular um assalto. Em seguida, o pistoleiro sacou o revólver 38 e atirou três vezes no diretor executivo. O erro de Alves foi ter retornado para São Luís com o telefone celular do sobrinho. O aparelho foi rastreado e o traficante acabou preso por policiais do Maranhão no dia 8. O delegado apurou que o revólver 38 era de Lima. A moto usada por Santos no crime foi emprestada por um homem identificado como Alex. Alves e Lima receberam, cada um, R$ 6 mil de Giselma. Santos ficou com R$ 4 mil. A mandante do assassinato ficou devendo R$ 14 mil ao irmão. Giselma alega inocência. A polícia vai pedir a prisão preventiva dos quatro.

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