Ex-padre condenado por tráfico vende ilha de R$ 6 milhões

Condenado por tráfico de drogas e excomungado da Igreja Católica Romana no dia 12 de fevereiro deste ano pelo Papa João Paulo II, o ex-padre Roosevelt de Sá Medeiros está vendendo uma ilha no Pantanal de Mato Grosso do Sul, que registrou em seu nome e não fez a doação para a igreja, por R$ 6 milhões. O anúncio foi publicado na edição do dia 1º de junho, nos classificados do jornal O Estado de S. Paulo, e também no Correio do Estado, de Campo Grande. "Já apareceram três pessoas do Rio de Janeiro interessadas no imóvel", diz o corretor Hildeberto Rubin Alessio. Alessio foi contratado pelo procurador de Roosevelt, o padre aposentado que vive em Campo Grande, Luiz Ferracine, para negociar a ilha. O lugar, que fica no município de Bonito, a 250 quilômetros da capital, tem 20,6 mil metros quadrados, piscinas naturais, cachoeiras, vegetação nativa bem conservada e é cortado pelo Rio Formoso, de águas cristalinas, devido à grande quantidade de calcário na região. Possui até uma capela, onde o ex-padre celebrava missas para os turistas. Depois de várias denúncias anônimas, ele começou a ser investigado pela Polícia Federal. A excomunhão foi baseada em decisão da Justiça Federal brasileira, que considerou o religioso envolvido no narcotráfico. No dia 10 de abril último, ele foi condenado a quatro anos de prisão. O juiz Thiago Nagasawa Tanaka, que deu a sentença, observou, na ocasião, que a condenação de um padre por tráfico de drogas deve ser um fato inédito no Brasil. A situação de Roosevelt já estava complicada desde o ano passado, quando chegou a ficar preso pelo mesmo crime, mas foi solto por falta de provas. Entretanto, no dia 27 de julho do mesmo ano, foi preso, escondido embaixo da cama de Roosevelt, o ex-presidiário Gilson Pereira Padilha, de 23 anos, com cerca de 70 gramas de cocaína e maconha, que acabou acusando o ex-padre de envolver-se com drogas pesadas.

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