EX-policial foragido no RJ dá depoimento pelo YouTube

Ele acusa policiais de corrupção e diz ter pago R$ 50 mil para não ser preso quando foi encontrado

Alexandre Rodrigues, de O Estado de S. Paulo,

14 Fevereiro 2009 | 18h32

Foragido desde que escapou pela porta da frente do presídio Bangu 8 em outubro do ano passado, o ex-policial militar Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman, reapareceu na internet neste sábado. Quatro vídeos foram postados no site YouTube com uma espécie de entrevista na qual o homem apontado como líder de uma das milícias que atuam na zona oeste do Rio nega estar por trás da série de assassinatos desencadeada pela disputa entre grupos paramilitares na região, depois de sua fuga. Ele também acusa policiais de corrupção e conta ter pago R$ 50 mil a policiais que o encontraram para não ser preso.   O vídeo com o depoimento de Ricardo 'Batman'   Nos vídeos, que somam pouco mais de 12 minutos, Batman diz que a milícia denominada Liga da Justiça, chefiado pelo ex-vereador Jerominho Guimarães e seu irmão, o ex-deputado estadual Natalino Guimarães, é uma invenção da imprensa. No entanto, admite que tem armas e que controlou a máfia de transportes alternativos na zona oeste. Ele diz que policiais e informantes do delegado Marcus Neves, titular da delegacia de Campo Grande responsável pela prisão dele e dos irmãos Guimarães, já foram seus aliados. "Todos eles eram ligados a mim. Só colaram com ele (Neves) para tomar o que é meu", acusa.   Apesar de negar a autoria da série de atentados dos últimos meses na zona oeste, Batman admite que tinha inimigos no alvo, como o bombeiro Carlos Alexandre Silva Cavalcante, o Gaguinho, morto a tiros em janeiro, quando tentava controlar o transporte alternativo na região. "Gaguinho era sim meu inimigo, mas infelizmente não fui eu quem o matou. Alguém furou a fila e passou na minha frente", afirma Batman, reivindicando a liderança das vans.   No vídeo em que aparece com uma camiseta preta e colar e pulseira dourados,  tendo como fundo uma parede branca, Batman responde perguntas de um homem que não aparece diante da câmera. Em uma das respostas, nega ter subornado agentes penitenciários para fugir da prisão. Diz ter escapado aproveitando uma falha na segurança do presídio. "É mais fácil a secretaria dizer que eu paguei R$ 2 milhões do que admitir que tinha um erro no sistema", afirma.   Na sexta-feira, o Disque-Denúncia havia elevado de R$ 2 mil para R$ 10 mil a recompensa por informações que levem a polícia ao miliciano, um dos criminosos mais procurados do Rio. Num dos vídeos, Batman diz que se apresentará se houver disposição das autoridades para investigar suas denúncias. Ele chega a fazer elogios ao delegado Cláudio Ferraz, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, e ao secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame.   A Secretaria de Segurança informou que o setor de inteligência investiga a origem e o teor do vídeo, mas o secretário não comentaria as declarações de um bandido que tem interesse em confundir as investigações. Procurados pelo Estado, os delegados Marcus Neves e Cláudio Ferraz não foram encontrados.

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