Ex-prefeita em Portugal se diz exilada política e não foragida

A ex-prefeita da cidade portuguesa de Felgueiras, Fátima Felgueiras, com prisão preventiva decretada em Portugal, sob a acusação de desviar 1 milhão de euros (R$ 3,34 milhões) da administração pública, não se considera uma foragida da Justiça, ?mas uma exilada da democracia pós-Revolução dos Cravos?. A afirmação foi feita nesta quarta-feira para três emissoras de televisão portuguesas (a estatal RTP e as privadas TVI e SIC) no auditório da Fundação Escola Superior da Defensoria Pública, numa coletiva organizada por seu defensor, Paulo Ramalho. Fátima, que nasceu no Rio de Janeiro, mas vive em Portugal desde criança, disse que pretende voltar e se defender das acusações assim que obtiver um habeas-corpus. Ela discursou durante 13 minutos para as emissoras de TV e depois respondeu a perguntas da imprensa portuguesa durante mais meia hora, mas não falou com jornalistas brasileiros. Fátima, que é do Partido Socialista, acusou a Justiça do seu país de não se ter democratizado nos ?29 anos que se passaram após o fim do Salazarismo? e disse que fugiu porque seria encarcerada com presos comuns. ?Me amordaçaram e não me deram condições de defesa?, afirmou. ?Mas não me considero fugitiva, pois deixei Portugal respeitando uma decisão do tribunal de minha consciência.? Fátima é prefeita de Felgueiras pelo Partido Socialista e, desde 2000, sofreu 31 acusações (segundo ela mesma disse) de corrupção, peculato e outros crimes de administração pública, com o fim de obter recursos para financiar campanhas políticas. Se condenada, pode ter uma pena de até 25 anos de prisão. Ela nega as acusações. ?Se desvios houve, foram por determinação das Câmaras, que tomam decisões coletivas, e não minha, individualmente?, afirmou. ?Quero provar na Justiça minha inocência e voltar para Portugal que é o meu País.?

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