Ex-prefeito de Guarujá é condenado a 57 anos de prisão

O ex-deputado estadual e ex-prefeito de Guarujá, Ruy Gonzalez, foi condenado a cumprir pena de 57 anos de prisão pelo envolvimento com a quadrilha que seqüestrou a família do gerente do Banespa local, praticou assalto contra a agência e, ao fugir, trocou tiros com a polícia, ferindo uma PM. Outros sete membros da quadrilha foram condenados a penas não inferiores a 53 anos e 3 dias de prisão. Cabe recurso à sentença do juiz Gulherme de Macedo Soares, da 1ª Vara do Fórum de Guarujá, mas Gonzalez e os demais terão de cumprir a pena integralmente em regime fechado.Na noite de 13 de agosto do ano passado, o gerente do Banespa em Guarujá, Lúcio César Soares Pinto, sua mulher e seu filho foram sequëstrados pela quadrilha e levados a um cativeiro na praia da Enseada. O bancário foi levado na madrugada seguinte à agência e, por volta das 9h, quando os cofres particulares puderam ser abertos, foi iniciado o assalto. Fortemente armados, os assaltantes foram surpreendidos por policiais e, na fuga, atingiram a PM Fabíola Pereira Gaspar com três tiros de fuzil calibre 7.62. A PM perseguiu os criminosos, que se esconderam na mansão do ex-prefeito Ruy Gonzalez. Cercada a casa, os policiais realizaram a prisão de sete pessoas, apreendeu um grande arsenal de armas pesadas, US$ 120 mil e muitas jóias, fruto do assalto ao Banespa. Gonzalez alegou ter sido surpreendido pelos marginais, que o fizeram refém. Mesmo assim, foi também preso e não conseguiu responder ao processo em liberdade.Na mesma sentença, o juiz Guilherme de Macedo Soares condenou Paulo Ely Gutierrez a cumpir 57 anos de prisão, enquanto seu filho, Samuel Levi Gutierrez Sobrinho (genro de Ruy Gonzalez e que está foragido), a 53 anos e três dias. Dilton Peres, Luciano Castro de Oliveira e Marcelo Alves de Lima fugiram da Penitenciária do Estado e estão foragidos, enquanto Cláudio Barbara da Silva e Rodrigo Cesar de Freitas continuam presos. As penas foram de 57 ou de 53 anos e três dias para todos. Só Cesar Ferreira Muniz, preso depois da invasão da casa de Gonzalez, foi absolvido, por falta de provas.Os réus foram processados por formação de quadrilha, seqüestro, tentativa de latrocínio (por terem baleado a policial militar) e roubo com o emprego de armas. Antes de responder a esse processo, Ruy Gonzalez chegou a ser condenado a dois anos e meio de prisão por impobridade administrativa praticada em sua gestão como prefeito de Guarujá: ele fez a contratação irregular de 1.149 funcionários sem concurso público. Passou também por um processo de cassação de seu mandato na câmara e foi absolvido pelos vereadores.

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