Ex-prefeito de Jandira vendeu bens, acusa MP

O Ministério Público apurou que o ex-prefeito de Jandira (SP), Paulinho Bururu (PT), apontado como um dos beneficiários do cartel da merenda escolar, estava se desfazendo de seu patrimônio para escapar à ação da Justiça. A informação consta de medida cautelar, por meio da qual a promotoria requereu em caráter criminal o sequestro dos imóveis do petista.

Fausto Macedo e Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2011 | 00h00

Bururu ocupou o governo de Jandira entre 2001 e 2008. A promotoria identificou 17 casas, terrenos e apartamentos do petista - sobre 15 desses imóveis já foram apuradas as condições de compra. A maior parte dos bens foi adquirida por Bururu no exercício do mandato. Ele é acusado de enriquecimento ilícito.

A promotoria alertou que "alguns dos imóveis já estão sendo vendidos para terceiros, o que não pode ser tolerado". "Imperioso assegurar que os imóveis não sejam transferidos para mãos de terceiros de boa fé e, ao mesmo tempo, que o patrimônio não seja dilapidado", anotaram os promotores José Augusto de Barros Faro e Arthur Pinto de Lemos Júnior.

A promotoria argumentou que o sequestro do patrimônio de Bururu evitaria a lavagem do dinheiro da propina que o petista teria recebido de fornecedores de merenda. "Cabe cessar, de uma vez por todas, a continuidade da reciclagem do dinheiro sujo que afasta o patrimônio de sua origem ilícita."

"Dilapidado o patrimônio, ou transferido a terceiros os imóveis, surgirá fator complicador para o posterior confisco", advertiram os promotores. Bururu comprou muitos imóveis à vista. "É estarrecedor o volume de negócios feitos por Bururu durante sua gestão e após o término de seu mandato", afirma o Ministério Público. "Muitos imóveis foram adquiridos em dinheiro em espécie, numa oportunidade houve transferência bancária no valor de R$ 200 mil."

O patrimônio do petista, segundo a promotoria, é incompatível com seus rendimentos. Como prefeito ele recebia R$ 8 mil. Bururu alega que adquiriu seus bens por meio de "uma vida inteira de trabalho". Nega ter recebido propinas do cartel da merenda e que estivesse dilapidando o patrimônio.

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