Ex-presidente da Estácio é enterrado no Rio

A polícia investiga se a morte do ex-presidente da escola de samba Estácio de Sá, Alcyr Pereira Alves, de 59 anos, foi motivada por vingança. Ele tinha dívidas e vinha sendo ameaçado. O sambista levou um tiro na nuca quando estava num bar com dois amigos, na noite de segunda-feira, e foi enterrado hoje no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, Zona Portuária, com a presença de companheiros do mundo do samba.O corpo foi velado na quadra da Estácio, na zona norte, durante a tarde. Integrantes da escola e representantes de outras agremiações participaram da cerimônia, marcada pela emoção. Nelson Souza, diretor de carnaval da Estácio, disse que a comunidade está abalada. "Ele era muito popular, dedicou a vida inteira à escola. Ainda não caiu a ficha." Amigos lembraram que Alves era uma figura de destaque no carnaval. "Era uma simpatia. Colaborou muito para o samba", disse o vice-presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Castanheira.O delegado Aloysio Neto, da 23º Delegacia Policial, disse que as características do crime levam a crer que foi encomendado. "Possivelmente o crime foi cometido por um profissional, que conhecia a vítima e foi na direção dela dando somente um disparo", disse Neto. Por volta das 22 horas, Alves saiu da Associação das Escolas de Samba do Rio, no Méier, zona norte, e foi para um bar próximo com o presidente da entidade, Walter Teixeira, e outro dirigente, Luís Carlos de Oliveira. Um homem se aproximou e disparou uma vez contra ele. Depois entrou num carro que o aguardava e fugiu. Alves era diretor de gravação do cd da associação, que reúne as agremiações dos grupos de acesso.As duas testemunhas serão ouvidas pela polícia. Walter Teixeira disse ontem que não tem condições de reconhecer o assassino porque não viu seu rosto. Ele acha que o assassinato pode ter tido motivação pessoal . "Ele estava tranqüilo. Dívida toda escola tem. Pode ter sido um problema pessoal", opinou.A ex-mulher do sambista, Solange Lopes, de 53 anos, - com quem ele teve dois filhos gêmeos, Márcia e Márcio, de 33 anos -, disse que não imagina por que ele foi morto. Márcia não acredita na hipótese de vingança porque o ex-marido "era uma pessoa amada no mundo do samba e não tinha inimigos". Ela disse desconhecer que Alves tinha dívidas mas afirmou que lembrou que ele andava triste ultimamente.Alves deixou a presidência da Estácio após o carnaval deste ano, depois de permanecer no cargo por 16 anos. Seu momento mais marcante à frente da tradicional agremiação - a primeira escola de samba fundada no Rio - foi em 1992, quando a levou à vitória no Grupo Especial, com o enredo "Paulicéia Desvairada". A Estácio foi rebaixada para o Grupo de Acesso em 1997 e até hoje não conseguiu voltar ao desfile das grandes escolas.

Agencia Estado,

26 de novembro de 2002 | 16h07

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