Ex-presidente do BC Henrique Meirelles entra na disputa eleitoral em SP

O ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles filiou-se ontem ao PSD e mudou seu domicílio eleitoral de Goiás para São Paulo com a garantia do presidente do partido, Gilberto Kassab, de que poderá concorrer à Prefeitura da capital, no ano que vem, ou ao governo do Estado ou mesmo a um cargo numa chapa presidencial, em 2014. A filiação de Meirelles foi a maior surpresa reservada pelo PSD no último dia de mudança partidária para quem pretende disputar a eleição municipal em 2012.

João Domingos / Brasília, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2011 | 03h04

"Amadureci muito essa ideia de ir para o PSD nos últimos dias", afirmou Meirelles ao Estado. No comunicado emitido por seu novo partido, ele ressaltou a "satisfação" com a mudança: "Agradeço a acolhida no PMDB, o maior partido do País, mas essa oportunidade de participar da formação de um grande partido nacional desde o seu início me estimula muito". E alegou que seu projeto não é eleitoral: "É importante ressaltar que não se trata de um projeto eleitoral, mas de contribuir no debate e na formulação de políticas para sustentar e incrementar o nosso desenvolvimento".

As negociações, conforme revelou o Estado, começaram e em março. O convite formal para que Meirelles deixasse o PMDB e se filiasse ao PSD foi feito por Kassab há cerca de um mês, mas só se viabilizou depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) garantiu a legenda para o partido, na semana passada. Meirelles, no entanto, decidiu a trocar de legenda e de domicílio eleitoral em cima da hora.

Na quinta-feira ele pediu ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Goiás a desfiliação do PMDB. No mesmo dia, Meirelles comunicou a seu antigo partido que estava saindo. O pedido ao TRE para se filiar ao PSD só ocorreu ontem, o último dia permitido para a mudança.

A filiação se deu por volta das 17 horas, numa ficha abonada por Kassab e pelo vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos. Meirelles havia aderido ao PMDB também em cima da hora, em 2009. Ele esperava ser chamado para ser o candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff. Mas o escolhido acabou sendo o presidente do PMDB, o hoje vice-presidente Michel Temer.

Na época, Meirelles reconheceu que, apesar de ter por padrinho da filiação o ex-governador Iris Rezende, era um neófito no PMDB e não tinha como disputar espaço com Temer. Por isso, ficou na presidência do BC até o fim do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, totalizando oito anos à frente da instituição. Sua política austera de combate à inflação, baseada em altas taxas de juros, deu-lhe credibilidade internacional. Acabou ganhando o prêmio de melhor presidente de banco central no mundo.

Vip. "Henrique Meirelles terá o tratamento que merece no PSD", ressaltou o secretário-geral do partido, Saulo Queiroz. "Ele é uma figura de destaque, uma das mais importantes aquisições do PSD."

Queiroz afirmou que a eventual candidatura de Meirelles a prefeito de São Paulo representa um "nocaute" nas pretensões do ministro Fernando Haddad (Educação), o preferido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar a sucessão do prefeito Gilberto Kassab.

Henrique Meirelles busca a alternativa de se candidatar a um cargo majoritário desde 2002. Na época, no PSDB, ele tentou um lugar na chapa para senador pelo Estado de Goiás, mas foi preterido pelo partido e teve de disputar uma vaga de deputado federal. Foi o mais votado. Não chegou a assumir a cadeira. Assim que foi eleito, Lula o convidou para ser presidente do Banco Central no governo petista. Meirelles teve de renunciar ao mandato de deputado federal e se desfiliar do PSDB.

Disputa. Em 2009 ele foi convidado pelo PMDB, sob o argumento de que poderia concorrer ao governo do Estado. Mas as disputas internas no partido levaram à candidatura do então prefeito de Goiânia, Iris Rezende. O vencedor, no entanto, foi o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), um antigo aliado de Meirelles. O ex-presidente do BC ainda tinha esperanças de ser convidado para compor a chapa presidencial de Dilma como vice, mas foi preterido. Agora, enfim, poderá ser candidato a um cargo eletivo, embora não por seu Estado natal, mas por São Paulo.

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