Ex-presidiário tem seu dia de celebridade em São Paulo

Na terça-feira, o presidiário Wagno Lúcio da Silva foi retirado da "jega" (cama, no jargão da cadeia) e colocado para fora da cela às 6 horas, tomou o café ralo de todo dia, com pão duro, "sem manteiga", e saiu para capinar no pátio da Penitenciária de Segurança Máxima de Contagem (MG). Hoje, apenas dois dias depois, já livre da pena de 23 anos de prisão que lhe fora imposta injustamente. Wagninho, como é chamado pela família e amigos, acordou no mesmo horário. Mas, dessa vez, por outro motivo e em um ambiente nada familiar: uma confortável cama king size numa suíte de 55 metros quadrados - 16 vezes o tamanho da cela onde viveu por oito anos - no hotel Blue Tree Towers Berrini, na zona sul de São Paulo. O motivo: postar-se na frente de câmeras para uma entrevista ao vivo em rede nacional. E o ex-segurança, ex-pedreiro, ex-preso Wagno viveu o seu dia de celebridade. Ele chegou a São Paulo num vôo da TAM na noite anterior. Foi a primeira vez que viajou de avião. "Não gostei. Não me sinto bem nas alturas." Antes de embarcar, ele vencera, também pela primeira vez, os degraus das escadas rolantes do Aeroporto de Confins. No início, tropeçou, mas se acostumou com o movimento fazendo com os pés como se estivesse andando sem sair do lugar, "para não dar tontura". Tontura sentiu mesmo no percurso de 15 andares da recepção ao quarto do hotel, com vista para a Marginal do Pinheiros. Não quis jantar de tão enjoado. Tampouco aproveitou a banheira de imersão ou os canais internacionais do quarto. Só dormiu. Às 8 horas já estava todo maquiado, "para tirar o brilho do rosto", em entrevista para a apresentadora Ana Maria Braga, da Rede Globo. Às 9h30, seguiu para a TV Record para outra entrevista. Às 14 horas, tinha compromisso na TV Bandeirantes. Em seguida, voltou para a Record. "Por enquanto mesmo, tô achando tudo, assim, meio confuso, sabe? Tô querendo mesmo é respirar." Entre uma emissora e outra, respondia às entrevistas pedidas por emissoras de rádio de todo o Brasil, por telefone. No caminho para a TV Bandeirantes, fez a única pausa do dia no restaurante Don Pepe, em Moema, onde pediu macarrão à bolonhesa, arroz branco e frango à passarinho. "Adoro fritinho!", disse, sem nenhuma saudade da marmita da cadeia.

Agencia Estado,

16 Fevereiro 2006 | 23h16

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