Ex-secretário acredita em ''armação'' criada com o fim de atingi-lo

Lauro Malheiros Neto: ex-secretário adjunto da Segurança Pública de SP; Advogado diz que seu primo, flagrado em negociações, é pessoa ?idônea? e que só soube do DVD pela imprensa

Entrevista com

Marcelo Godoy e Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

06 de março de 2009 | 00h00

O ex-secretário adjunto da Segurança Lauro Malheiros Neto afirmou que seu primo e sócio, o advogado Celso Augusto Hentscholer Valente, é pessoa "idônea" e acredita que ele foi vítima de uma armação criada com o fim de atingi-lo. Eis trechos de sua entrevista por escrito ao Estado.Quando o sr. tomou conhecimento da existência desse DVD?Tomei ciência pela imprensa da existência de um DVD que teria sido entregue ao Ministério Público, pois até agora não tive acesso às acusações feitas contra mim. Fiquei ciente do teor de tal DVD pela imprensa, apesar de apenas serem veiculados alguns trechos de tal gravação. Nada posso dizer a respeito do teor do DVD tendo em vista que trechos são incapazes de revelar a situação em seu todo. De qualquer forma, desconheço o ocorrido, mesmo porque, ao assumir o cargo de secretário adjunto, me desliguei por completo da advocacia, pela incompatibilidade das funções e para exercer com plenitude meu cargo, uma vez que, em razão da complexidade da pasta, meu tempo era tomado integralmente. Praticamente deixei de lado até minha família, minha vida particular, em razão de tal dedicação.Foi ameaçado ou chantageado por alguém a respeito da gravação?Sobre esse assunto entendo que devo responder primeiramente ao Ministério Público.Acredita que essa gravação tenha relação com as mudanças que o senhor promoveu na Polícia Civil?De vez por todas, vamos deixar bem claro que mudanças na cúpula da Polícia não foram promovidas por mim, pelo Dr. Marzagão, pelo delegado-geral, nem por qualquer outro de forma isolada. Faz parte do serviço público a rotatividade dos servidores nas mais diversas funções atinentes ao cargo, nesse caso, atinentes à função policial. Com a mudança da Delegacia-Geral, houve uma mudança da forma de gestão, pois cada um tem seu estilo próprio. O Conselho da Polícia Civil, tido como a cúpula da polícia, é formado pelos diretores dos Departamentos, tendo como presidente o delegado-geral. Tal conselho tem como função, dentre outras, auxiliar o delegado-geral nas diretrizes da administração da instituição. É óbvio que, com a mudança do delegado-geral, alguns membros do conselho são mudados. Mas são mudados não por serem melhores ou piores que aqueles que os sucedem, mas sim como forma de adequar ao estilo de cada gestão. Tais mudanças não são decididas de forma pessoal, mas sim analisadas e submetidas ao crivo da secretaria e, ao final, do senhor governador. Contudo, muitos não entendem que o cargo que ocupam não lhes pertence, uma vez que é um cargo público. Quando são substituídos, tomam isso pelo lado pessoal e tentam culpar alguém. Daí surgem os mais absurdos fatos e situações criadas para o fim de atacar quem eles creem que os prejudicou. Ainda tomados por tal mesquinha e infundada vaidade passam a denegrir desmedidamente a honra de seus supostos ofensores, como forma de uma imaginária vingança, mas se esquecem de que a maior atingida é a própria Instituição Policial.No ano passado, o senhor disse ao Estado que o doutor Valente era pessoa idônea. Continua com essa opinião?Até prova em contrário, sim. Além de nossa relação de parentesco, Celso Valente e eu cursamos a faculdade de Direito e nos formamos mais ou menos na mesma época. Posso dizer que é um dedicado e idôneo profissional, pois ao longo da advocacia já trabalhei com ele em alguns casos e pude ver o profissional que é.O senhor acredita que o doutor Valente possa ter usado o seu nome para obter algum tipo de vantagem?Acredito que o Dr. Celso tenha sido vítima de uma repugnante armação, criada com o fim de me atingir. Isso porque, em um pequeno exercício de raciocínio, não é difícil concluir que alguém que procure um advogado e com ele se consulte munido de uma câmera oculta não tem outra intenção senão a de criar uma situação, evidentemente, agindo de má-fé.Por que o sr. Pena o acusa?Eu também realmente gostaria de saber. Nada fiz a ele que pudesse desencadear tais acusações contra mim. Não entendo o motivo que o levou a criar e imputar tais inverídicos fatos contra mim. Ele cria e imputa fatos a mim que eu sequer tenho ideia do que se trata. Imputa-me relacionamento com pessoas que sequer conheço. Creio que ele está sofrendo alguma pressão ou sendo maliciosamente orientado por alguém. Não tenho a menor ideia porque ele está fazendo isso, tendo em vista que sempre prontamente o assisti e o ajudei como advogado com a maior presteza e lisura. Falando em acusações, até hoje não sei na realidade do que venho sendo acusado, senão pelas notícias veiculadas pela imprensa, haja vista que não respondo a qualquer processo e nunca fui ouvido a respeito, mesmo já tendo me colocado à disposição do Ministério Público.

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