Ex-secretário diz que mandou apurar

Marzagão afirmou que repassava o que chegava à delegacia-geral

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2009 | 00h00

O advogado criminalista e ex-secretário da Segurança Pública Ronaldo Marzagão afirmou em nota ao Estado que desconhecia a existência e o teor do depoimento do delegado Roberto Fernandes. "Todas as denúncias referentes à Polícia Civil e que chegaram ao seu (Marzagão) conhecimento, foram encaminhadas à Delegacia-Geral de Polícia para as providências cabíveis, a qual poderá esclarecer a respeito das medidas tomadas, eis que a Corregedoria-Geral de Polícia é a ela subordinada", disse.Marzagão deixou a secretaria em março, em meio a uma crise na pasta que envolvia denúncias de corrupção contra seu ex-secretário adjunto, Lauro Malheiros Neto, alvo das declarações do investigador Augusto Pena, que aceitou contar o que sabia aos promotores, em troca de delação premiada. Além disso, um vídeo mostrava o sócio de Malheiros Neto, o advogado Celso Valente, supostamente informando o preço de cargos importantes na polícia e da venda de absolvições de policiais corruptos em processos administrativos. Malheiros e Valente alegam inocência.O ex-secretário Marzagão até agora não foi ouvido sobre as denúncias feitas pelo delegado Roberto Fernandes em seu depoimento aos promotores do Gaeco. Em seu depoimento, Fernandes não diz ou não foi questionado sobre a razão de ter certeza de que Marzagão conhecia as investigações e o que o havia levado a silenciar sobre o caso.DEPOIMENTOMarzagão será, no entanto, chamado a depor pela Corregedoria da Polícia Civil sobre o caso dos policiais que teriam comprado a absolvição em processo administrativo. O retorno à Polícia Civil de três policiais expulsos foi assinado por Malheiros Neto, em nome de Marzagão.O delegado Hamilton Antônio Gianfratti, da Corregedoria, quer saber qual teria sido o impedimento legal que levou o então secretário adjunto a assinar um ato privativo do secretário da Segurança. Caso não haja justificativa, o ato que reintegrou os policiais suspeitos de extorsão pode ser anulado.Roberto Annibal, o delegado que dirigia a polícia na região de Bauru, deixou o cargo em maio de 2008 e hoje está no Departamento de Identificação e Registros Diversos. Aos amigos, Annibal se diz vítima de perseguição por ter substituído Fernandes no cargo de delegado seccional de Marília. Ele nega as acusações.

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