Ex-servidor deu à PF nomes de testemunhas de atuação de lobista

Batista, que era da comissão de licitação, citou sete servidores que poderiam confirmar se Fróes frequentava pasta

Felipe Recondo, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2011 | 00h00

A Polícia Federal já tem os nomes de servidores que poderão confirmar a relação do lobista Júlio Fróes com o ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi e o ex-secretário da pasta Milton Ortolan. Em depoimento na segunda-feira, o ex-presidente da comissão de licitação do ministério Israel Leonardo Batista citou sete servidores que poderão confirmar se Fróes frequentava o prédio, inclusive os gabinetes do ministro e do ex-secretário.

Batista foi ouvido durante seis horas pelo delegado Leo Garrido de Salles Meira na superintendência da PF em Brasília. Ele cita as pessoas que poderiam ser ouvidas como testemunhas da presença frequente e da relação de Fróes com a cúpula do Ministério da Agricultura. Seria uma alternativa à comprovação de suas denúncias, já que o próprio Israel dizia desconfiar que as imagens do sistema de segurança do ministério seriam apagadas.

Nas oito páginas do depoimento, a que o Estado teve acesso, foram colocadas tarjas nos nomes das possíveis testemunhas, uma forma de preservá-las e evitar que sofram ameaças ou possíveis retaliações. À Polícia Federal, Batista afirmou que Fróes lhe ofereceu R$ 5 mil de propina, dinheiro que ele disse ter recusado. O valor foi oferecido, conforme Batista, depois de fechado um contrato entre o Ministério da Agricultura e a Fundação São Paulo, mantenedora da PUC.

"Júlio disse que era uma ajudinha referente ao auxílio prestado durante a execução do termo de referência relativo à contratação da Fundasp-PUC", afirmou Batista em seu depoimento.

Esse contrato, no valor aproximado de R$ 10 milhões, previa a capacitação de servidores federais. E nesse processo, Fróes teria dito estar seguindo "ordens do chefão" para fechar o contrato sem necessidade de licitação.

No depoimento, Batista não soube dizer se o chefão seria Milton Ortolan ou Wagner Rossi.

Em outro trecho do depoimento, Batista relatou que, ao suspender um processo de licitação por problemas formais ouviu reações de quem estava disputando o contrato. "Um outro licitante, indignado, disse que tinha conhecimento que já estava "tudo acertado com o 8.º andar (onde fica o gabinete do ministro) para o direcionamento da licitação", inclusive com pagamento de propina acertada no valor de R$ 2 milhões", relatou à PF.

As acusações levaram a coordenadora-geral do setor, Karla Renata França Carvalho, a determinar que Batista não registrasse as acusações em ata para não provocar "problemas para o 8.º andar".

À PF, Batista disse ter sido chantageado e ameaçado de morte por não colaborar com as irregularidades e por ter denunciado a relação de Fróes com a cúpula da Agricultura. "Eu recebi duas ligações. Diziam: "Você me paga". Eu falei para o delegado que depois que morrer não tem mais jeito", disse ao Estado. "Hoje, não consigo trabalhar, tenho que andar escondido."

 

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