Ex-sócio de Marcos Valério é condenado a 7 anos de prisão

O advogado Rogério Lanza Tolentino, ex-sócio de Marcos Valério, considerado um dos pivôs do mensalão do PT, foi condenado a 7 anos e 4 meses de prisão e ao pagamento de 3.780 salários mínimos ( R$ 1,92 milhão) pelo crime de lavagem de dinheiro.

Eduardo Kattah BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2010 | 00h00

A sentença do juiz titular da 4.ª Vara Criminal da Justiça Federal em Belo Horizonte, Alexandre Buck Medrado Sampaio, proferida segunda-feira e divulgada ontem é, segundo o Ministério Público Federal, a primeira condenação decorrente do esquema do mensalão - escândalo que veio à tona durante o primeiro mandato do presidente Lula.

O juiz decretou o perdimento dos bens do ex-advogado das agências SMPB e DNA, sequestrados em fevereiro de 2008, além da interdição do réu para o exercício de cargo ou função pública por 14 anos e 8 meses. Da decisão cabe recurso e Tolentino responderá em liberdade.

Sampaio concluiu que o réu "praticou o delito de lavagem de dinheiro". Segundo o juiz, os recursos provinham de "crimes (antecedentes) contra a administração pública, o Sistema Financeiro Nacional e praticados por organização criminosa".

De acordo com o Ministério Público, no recebimento da denúncia do mensalão, o relator do inquérito no STF, ministro Joaquim Barbosa, descreveu que Tolentino "atuava como verdadeiro braço direito de Marcos Valério, acompanhando-o em reuniões com outros acusados, indo à sede de empresas aparentemente envolvidas no suposto esquema de lavagem de dinheiro e inclusive fazendo repasses de dinheiro" por meio de sua empresa, Lanza Tolentino & Associados.

A conduta criminosa, conforme a acusação formal, teve início em maio de 2002, quando um cheque de R$ 128 mil emitido pela SMPB foi depositado na conta de Tolentino. Conforme o Ministério Público, até agosto de 2005, "vultosas quantias foram movimentadas" por meio das contas do acusado, em operações bancárias efetuadas pela SMPB e pelo Banco Rural.

Recurso. O advogado Paulo Sérgio de Abreu e Silva, que representa Tolentino, classificou como "absurda" a condenação e alegou não ter tido acesso à sentença. E disse que vai recorrer. Segundo ele, seu cliente e Valério dissolveram a sociedade que mantinham em um escritório de consultoria.

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