Ex-soldado acusado de roubo anunciou que invadiria ECT

O ex-soldado Carlos Leandro de Souza, denunciado e preso pelo roubo de dez fuzis e uma pistola do Estabelecimento Central de Transporte (ECT) do Exército, onde era lotado, anunciou, antes de dar baixa da unidade, que iria invadi-la. Souza, que deixou o quartel em fevereiro afirmou, diante de diversos colegas, que o ECT era vulnerável e que a guarda era "fraca". As armas foram roubadas da unidade no dia 3 de março, no Rio. As informações constam do Inquérito Policial Militar (IPM) que investiga o roubo. Foram passadas, em depoimentos, por militares lotados no ECT, ouvidos na condição de testemunhas. Foram denunciados pelo crime dois ex-militares, um militar e um civil. Outros três militares em serviço vão responder por negligência.O juiz auditor Marco Aurélio Petra de Mello começou a apreciar a denúncia nesta quarta, 19. O julgamento deve ser realizado em junho.Uma das testemunhas, um soldado, contou que Souza "diversas vezes comentou que era fácil invadir o quartel, porque a guarnição de serviço era fraca, tudo moleque bundão". O militar disse que ouviu Souza dizer que "iria virar bandido" quando saísse do quartel. No dia do crime, o depoente estava de serviço e reconheceu Souza como um dos invasores.Souza foi preso no dia 15 de março, sob suspeita de participação no roubo das armas, assim como o ex-cabo Joelson Basílio Silva. Ambos confessaram o roubo - Silva disse ainda ter sido o mentor do crime.Os dois ex-militares foram denunciados pelo Ministério Público Militar pelo roubo, assim como o sargento da ativa Humberto Freire e o civil Alex Souza Marinho, primo do ex-soldado e supostamente ligado ao tráfico de drogas. Três militares que estavam de serviço naquela madrugada, o segundo-tenente Igor dos Santos da Silva, o cabo Eric da Silva Campos e o soldado Igor Max Athaide Pereira, foram denunciados somente por negligência.O juiz Marcos André Bizzo Moliari, da 1ª Vara Federal, rejeitou a denúncia contra o general Domingos Curado, comandante militar do Leste, oferecida pelo Ministério Público Federal, por ele ter se recusado a prestar informações solicitadas pelo órgão com relação à Operação Asfixia - montada pelo Exército em março, em favelas do Rio, para recuperação das armas roubadas do ECT. O juiz se baseou numa decisão da Justiça Militar que determinava a paralisação da apuração do MPF sobre o caso.

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