Ex-tesoureiro do PT envolvido com aloprados é preso no MT

Valdebran Padilha foi um dos alvos de operação da PF que investiga desvio de pelo menos R$ 52 mi de verbas federais

Fátima Lessa, Especial Para o Estado, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2010 | 00h00

CUIABÁ

Ex-tesoureiro do PT de Mato Grosso, Valdebran Padilha foi preso ontem pela Operação Hygea, da Polícia Federal, com seu irmão Valdenir Padilha. Também foram detidos Luciano do Carvalho Mesquita e Valério do Nascimento, coordenadores da Creatio e Idheas, da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip).

Segundo a Polícia Federal, os quatro formam o núcleo intelectual da organização especializada no desvio de verbas federais da Funasa, Ministério da Saúde e Ministério das Cidades destinadas a Mato Grosso, Minas Gerais, Rondônia e Brasília.

Em 2006, o ex-tesoureiro Valdebran Padilha já havia sido preso pela Polícia Federal no escândalo dos "aloprados" - expressão cunhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para definir os petistas envolvidos no caso do falso dossiê de corrupção que seria usado contra candidatos tucanos na eleição de 2006.

O presidente do diretório regional do PT em Cuiabá, Carlos Abicalil, informou que Valdebran Padilha já deixou o partido, sendo, portanto, um ex-petista.

Prejuízo. O esquema teria causado prejuízo de pelo menos R$ 52 milhões, comprovado por auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU). Segundo Israel Carvalho, coordenador da CGU em Mato Grosso, o valor total pode ultrapassar R$ 200 milhões.

A PF cumpriu 35 mandados de prisão. Além de 76 ações de busca e apreensão, a Justiça determinou bloqueio de contas, apreensão de dinheiro, joias e carros.

Também foram presos ontem o ex-prefeito de Santo Antonio de Leverger, Faustino Dias; o secretário de Saúde de Tangará da Serra, Mário Lemos; o coordenador da Funasa, Marco Stangherlin; e o empresário Francisco Salvador, da CHC Táxi Aéreo - além dos dirigentes do PMDB de Mato Grosso Rafael Bastos, Carlos Miranda e José Luís Bezerra.

Todos responderão pelos crimes de formação de quadrilha, estelionato, fraude em licitações, lavagem de dinheiro, peculato, corrupção ativa e passiva e prevaricação. Hoje, os advogados alegam inocência dos clientes e vão entrar com pedido de revogação das prisões temporárias. /

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