Exaltando os diferentes, Império Serrano tem problemas de harmonia

Comemorando 60 anos, a aniversariante Império Serrano fez uma bonita e apresentação com enredo em defesa da igualdade e da inclusão no segundo desfile na Marquês de Sapucaí: "Ser diferente é normal: o Império Serrano faz a diferença no carnaval". Mas apesar da empolgação do público com o samba, a escola teve problemas na harmonia. Para exaltar a diferença, a escola entrou na Marquês de Sapucaí falando de Einstein (alfabetizado aos 9 anos), Quasímodo, o Corcunda de Notre Dame, Frida Kahlo, Aleijadinho e Noel Rosa (que teve o queixo deformado a fórceps no nascimento). A madrinha de bateria, Quitéria Chagas, a Dorinha de Páginas da Vida, também inovou. Sua fantasia não tinha plumas, penas e as sandálias trançadas foram substituídas por um modelo trabalhado sobre a meia com bordados até o joelho. No biquíni da atriz, uma tevê de plasma transmitia imagens da escola. "Todo mundo tá de olho é na butique dela", brincou um integrante da bateria, citando a música Severina Xique-Xique, de Genival Lacerda. Algumas inovações, no entanto, não deram certo. A comissão de frente foi formada por 13 São Jorge, santo padroeiro da agremiação. Os bailarinos amadores, metade cavalo e metade cavaleiro, não dançaram - trotaram, marcharam e galoparam. Mas o efeito não foi bonito. Ficou bruto. A Império teve problemas na evolução. Dois carros quebraram e provocaram buracos. Os refletores do carro da coroa, símbolo da escola, não acenderam. Eletricistas tentavam fazer o reparo em frente ao primeiro grupo de jurados. A escola fez várias auto-referências durante a apresentação. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira a passar foi formado por Vilma e Jamelão, da velha guarda da Império. No penúltimo carro, Coreto de Noel Rosa, fundadores da escola como Tio Molequinho e Seu Amaro, passaram sentados em mesas de bares. As fantasias da baiana também lembravam os 60 anos da escola da Serrinha, na zona norte. Atores da novela Páginas da Vida, Joana Mocarzel, a Clarinha, Pérola Faria, a Gisele, e Fernanda Vasconcelos, a Nanda, encerraram a apresentação do Império, na ala da diretoria. O ator Marcos Frota, que interpretou o cego Jatobá em América, voltou dos Estados Unidos só para desfilar pela Império Serrano. "Vim brincar o carnaval e falar de coisa séria. A inclusão de pessoas portadoras de deficiência deve ser discutido sempre", afirmou.

Agencia Estado,

19 Fevereiro 2007 | 00h09

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