Exame comprova contaminação em condomínio de Mauá, em SP

Os cerca de 4 mil moradores do Conjunto Residencial Barão de Mauá, na Grande São Paulo, terão de ser examinados para que seja pesquisada uma eventual contaminação por benzeno, substância cancerígena.A medida foi anunciada nesta quinta-feira pela prefeitura de Mauá, após a divulgação do resultado dos exames de urina de 303 moradores. Em quatro deles foi confirmada a presença de benzeno.O grupo avaliado, que soma 7,6% do total de moradores, é uma amostragem usada pela prefeitura e por órgãos de pesquisa para determinar os reais riscos de contaminação no conjunto, construído sobre um aterro de resíduos industriais com aproximadamente 45 tipos de substâncias químicas.Segundo a comissão de moradores, levando em conta o porcentual de pessoas expostas ao benzeno, de 1,2%, e multiplicando pelo total de moradores, o resultado poderia revelar um universo de pelo menos 48 pessoas potencialmente afetadas.Nos quatro casos de contaminação, o ácido trans-transmucônico - que indica a presença do benzeno - tinha índices acima de 0,6 miligrama por grama de creatinina na urina, quando o normal seria encontrar menos de 0,2 miligrama - quantidades entre 0.2 e 0,5 miligrama recomendam alerta, sem riscos, segundo o toxicologista Anthony Wong, diretor do Centro Assistencial Toxicológico do Hospital das Clínicas (Ceatox-HC), em São Paulo.Quanto aos registros acima de 0,6 miligrama, o médico adverte para possíveis riscos para a saúde. O que mais revoltou a população foi o fato de a prefeitura esperar uma semana para divulgar o resultado dos exames. Na quinta-feira, o secretário municipal da Saúde, Márcio Chaves, convocou os síndicos do conjunto para falar sobre os casos positivos, sem revelar nomes de moradores que tiveram índices superiores aos aceitáveis.Nesta quinta-feira, os moradores se reuniram com o secretário para cobrar uma solução. Chaves disse que a prefeitura fez todos os estudos necessários. No relatório, que seria afixado no conjunto, a administração ressalta que não há razões para remover os moradores. O secretário, entretanto, vai requerer a análise da urina de todos os 4 mil moradores a partir da próxima semana. "A prefeitura assumirá os riscos baseados nas análises."Durante a reunião foram distribuídos os resultados das análises para cerca de 60 moradores. Na fila, enquanto aguardavam, as pessoas demostravam preocupação. "Não dá para confiar nesse resultado; a prefeitura quis esconder isso da gente", disse o morador Gilson Ribeiro Feliciano.Ele estava com o exame do filho Felipe, de 8 anos, que apresentou um grau de 0,2 miligramas. Feliciano lembrou que quando a análise foi feita o solo do conjunto estava intacto. Hoje, vários locais foram perfurados pela Cetesb para verificação. "Será que esses buracos não podem alterar a qualidade do ar e contaminar a todos?"Apavorada, Aparecida dos Santos, de 25 anos, queria saber do resultado dos exames do filho Raphael Bernadetti, de 1 ano. "Tenho medo que ele cresça com alguma seqüela." Com o documento nas mãos, ela comparava o resultado com os das demais vizinhas. Seu filho apresentou variação de 0,3 miligramas. "Graças a Deus ele não é uma das quatro pessoas."Para o porta-voz dos moradores, José Fernando da Silva, que reside no local há quatro anos, a prefeitura tem omitido informações. "Vamos direto ao governador." Silva pretende pedir a remoção das famílias para uma outra área. "Não podemos esperar alguém morrer."Os exames foram feitos no dia 24. O pânico dos moradores se arrasta desde maio do ano passado, quando uma pessoa morreu vítima de uma explosão no subsolo, onde estavam as caixas d´água do conjunto, por causa do acúmulo de gases.

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