Exame comprova que deputado estava bêbado

Amostra de sangue indicou 7,8 dg de álcool por litro; pena é de 6 meses a 3 anos de prisão

Evandro Fadel, O Estadao de S.Paulo

19 de maio de 2009 | 00h00

O deputado estadual do Paraná Fernando Ribas Carli Filho (PSB), de 26 anos, estava embriagado quando se envolveu em um acidente na madrugada do dia 7, em Curitiba, provocando a morte de duas pessoas: Gilmar Rafael Souza Yared, de 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, de 20. Laudo do Instituto Médico-Legal (IML) de Curitiba apontou que Carli Filho tinha 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue. O artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro estipula, a partir das alterações da Lei 11.705/08 (lei seca), que é crime a concentração de álcool igual ou superior a 6 decigramas, prevendo detenção de seis meses a três anos.O sangue do deputado foi colhido cerca de duas horas depois de ter deixado um restaurante, onde teria tomado quatro garrafas de vinho com alguns amigos. Nesse intervalo aconteceu o acidente e Carli Filho foi internado no Hospital Evangélico, em Curitiba."Hoje é possível informar com 100% de certeza que o deputado estava sob influência alcoólica no momento da colisão", disse o titular da Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran), Armando Braga, por meio de sua Assessoria de Imprensa. Testemunhas já tinham relatado "sinais visíveis de embriaguez". Outras pessoas ouvidas pela polícia afirmaram que Carli Filho empreendia "altíssima velocidade" com o Passat importado que dirigia, chegando a "decolar" antes de atingir o carro ocupado pelos dois rapazes. Eles tiveram morte instantânea. O deputado recebeu 30 multas nos últimos seis anos, 23 delas por excesso de velocidade, somando 130 pontos na carteira de habilitação, que estava suspensa desde meados do ano passado. A perícia deve determinar a provável velocidade do carro. FORO PRIVILEGIADOEm virtude de foro privilegiado, o inquérito é presidido pelo desembargador Miguel Pessoa Filho, com acompanhamento do Ministério Público Estadual e participação da Dedetran. Em entrevista à Rede Globo no domingo, a mãe do deputado, Ana Rita Carli, que acompanha o filho no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, disse que ele foi informado da tragédia. "Se ficar provado que é culpado, ele vai ter de pagar pelo que fez. De maneira nenhuma nós vamos ocultar isso ou colocar a mão na cabeça, até porque não resolveria nada", disse. "Não é porque tem um mandato que tem de ficar impune, isso não faria bem nem para a vida dele." Carli Filho pode ter o inquérito enviado à Justiça de primeira instância se perder o cargo de deputado.A pedido da família de Yared, a Corregedoria da Assembleia Legislativa instaurou ontem uma sindicância para apurar possível quebra de decoro parlamentar. Em 30 dias, o corregedor, deputado Luiz Accorsi (PSDB), pretende entregar um parecer à Mesa, que decidirá se aciona o Conselho de Ética para dar início ao processo de cassação."Não queremos fazer disso uma novela, vamos agir o mais rápido possível, com equilíbrio, bom senso e razão", afirmou o presidente da Casa, deputado Nelson Justus (DEM).

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