ExcelAire culpa controladores de vôo pelo acidente da Gol

A empresa americana ExcelAire, proprietária do jato Legacy que se chocou com o Boeing da Gol responsabilizou os controladores de vôo brasileiros pelo acidente que causou a morte de 154 pessoas no Mato Grosso. "Face às novas confirmações de que a torre de controle autorizou o jato executivo da ExcelAire a voar até Manaus a 37 mil pés, as acusações de que os pilotos voavam na altitude errada não procedem", disse o advogado norte-americano Robert Torricella, por meio da nota, acrescentando: "O que orienta a condução de vôo é o plano de vôo autorizado pela torre de controle no momento da decolagem". Segundo o texto, as normas internacionais de aviação ditam que "as diretrizes passadas pela torre de controle se sobrepõem ao plano de vôo escrito". Torricella prossegue: "Como o plano de vôo passado pela torre de controle no momento da decolagem ordenava que o Legacy voasse todo o percurso até Manaus a 37 mil pés, o correto é que a aeronave seguisse essas orientações ".Torricella considera "prematuros" os processos judiciais que começam a ser movidos pelas famílias das vítimas. Ele argumenta que as investigações ainda estão em curso e que seria necessário que elas fossem concluídas para que as ações fossem impetradas. "Estamos certos de que os pilotos da ExcelAire serão absolvidos", afirmou Torricella.Esta foi a primeira vez, passados 40 dias da queda do Boeing, que a ExcelAire (empresa dos EUA, sediada em Nova York) divulgou nota com declarações de Torricella. Especialista em aviação, o advogado, da firma norte-americana Anania, Bandklayder, Blackwell, Baumgarten, Torricella & Stein, veio para o Rio dias após o acidente. Ele está hospedado no mesmo hotel de Joseph Lepore e Jan Paul Paladino e vem se mantendo discreto diante das notícias veiculadas nos jornais. Desde o início das investigações, a defesa, que, no Brasil, é capitaneada pelo ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, optou por não polemizar com autoridades pela imprensa. É uma forma de preservar os pilotos, que continuam com os passaportes apreendidos pela Polícia Federal. A liberação depende, primeiramente, de uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que irá dirimir o conflito de competência entre a Justiça do Mato Grosso e a Justiça Federal. José Carlos Dias espera que a decisão saia nos próximos dias. Uma vez definido o foro, o advogado irá pedir a entrega dos documentos, para que os pilotos possam retornar para casa.

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