''''Excesso de agentes químicos'''' matou Ryan

Legistas vão comparar amostras do sangue do lutador tiradas antes e depois de ele ser medicado por psiquiatra

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

19 de dezembro de 2007 | 00h00

Parada cardiorrespiratória, causada por "excesso de agentes químicos" - que agiram no sistema nervoso central e interferiram no mecanismo automático da respiração. Essa foi a causa da morte do lutador Ryan Gracie, encontrado morto na cela do 91º DP (Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo), na manhã de sábado. O laudo necroscópico do Instituto Médico-Legal (IML) descarta causas externas, como alguma agressão - a briga com os motoboys durante a prisão provocou lesões corporais leves.A direção do IML espera agora o resultado dos exames toxicológicos para saber que tipo de agente provocou a parada respiratória e de que forma cada elemento químico presente no corpo interagiu para a morte. Para os legistas, não será um trabalho difícil, por causa das circunstâncias do caso. Gracie foi levado até o IML no meio da madrugada de sábado - onde foi extraída uma amostra de seu sangue, antes de ele ser levado para a carceragem do 91º DP. Assim será possível saber como o lutador estava no momento em que foi preso. Depois, quando chegou à cela da delegacia, recebeu remédios do médico particular, o psiquiatra Sabino Ferreira de Farias Neto.Às 7h30 de sábado, Gracie foi encontrado morto na cela. Os legistas extraíram, então, uma nova amostra de sangue. Será da análise dessas duas amostras que o IML pretende tirar como cada elemento químico se comportou no corpo e as quantidades de cada substância no sangue. RECEITUÁRIOAo ser preso, Ryan Gracie admitiu que havia usado cocaína, maconha e o remédio ansiolítico Frontal (calmante). Ele se dizia perseguido pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e, por isso, havia entrado num Corolla e dominado o motorista com uma faca. A vítima conseguiu sair do carro. Ryan assumiu a direção e bateu o veículo. Tentou, então, apoderar-se de uma moto. Abordou um motoboy com a faca, mas a vítima reagiu. Desferiu-lhe um golpe na cabeça com o capacete. Ajudado por outros motoboys, o motociclista dominou Gracie e chamou a polícia, que o levou ao 15º DP.Depois de depor, o lutador foi levado ao IML para fazer o exame toxicológico. Pouco tempo depois, no 91º DP, como o lutador continuava agitado, o médico contratado pela família receitou os remédios Dienpax (calmante), Leponex (contra esquizofrenia), Topamax (anticonvulsivo) e Capoten (anti-hipertensivo). A Corregedoria d a Polícia Civil, que apura o caso, já ouviu o médico, que foi criticado por colegas por não ter pedido a internação em um hospital e pela quantidade de remédios que receitou ao paciente. Os corregedores já conversaram com os policiais que estavam de plantão no 91º DP quando o lutador foi achado morto na cela.

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