Excesso de estâncias turísticas preocupa entidade

A aprovação pela Assembléia Legislativa de projeto que transforma mais três cidades do interior paulista em estâncias turísticas preocupa a Associação das Prefeituras das Cidades Estâncias do Estado de São Paulo (Aprecesp). O presidente da entidade e prefeito de São Sebastião, Paulo Julião (PSDB), considera que está havendo um inchamento no número de municípios estâncias, que vai subir de 62 para 65. "Quanto mais estâncias, menos recursos, pois o bolo é o mesmo e as fatias ficam menores", comparou. As cidades de Avaré, Piraju e São Luis de Paratiniga preencheram os requisitos para reivindicar o título de estâncias e tiveram os projetos aprovados recentemente pela Assembléia Legislativa. A transformação depende da sanção do governador Geraldo Alckmin. Por se tratar de ano político, o presidente da Aprecesp não tem dúvida de que o governador irá avalizar a criação das novas estâncias. "Não vamos fazer nada para impedir porque acreditamos que a Assembléia teve o cuidado de verificar se todos os requisitos técnicos foram preenchidos, mas achamos que os novos pedidos têm de ser analisados com maior rigor."Julião lembrou que a Empresa Brasileira de Turismo (Embratur) considerou com potencial turístico 200 municípios do Estado de São Paulo. Por conta disso, a maioria está entrando com processos visando a transformação em estância. Os municípios com esse título fazem jus a uma verba adicional, repassada pelo Governo do Estado através da Secretaria do Turismo. O recurso de cada município é calculado com base em requisitos como a população, receita própria e fluxo de turistas, mas o valor a ser repartido tem índices de cálculo fixos. "Não queremos criar reserva de mercado, mas os requisitos legais precisam, de fato, ser exigidos." Ele lembra que a legislação leva em conta a necessidade de ajudar, com recursos, as cidades que recebem elevados volumes de visitantes. No caso de São Sebastião, por exemplo, a população, de 62 mil habitantes, triplica durante o verão e chega a aumentar dez vezes no fim do ano. No ano passado, a cidade recebeu R$ 1,55 milhão do fundo das estâncias. "É uma verba que ajuda a manter a estrutura de atendimento a essa população flutuante." Ele acha que outras cidades estâncias que não recebem tantos turistas não precisariam de recursos equivalentes. As praias acabam levando às estâncias balneárias mais turistas do que recebem as estâncias turísticas, climáticas e hidrominerais, as outras categorias.O diretor de turismo de São Luis do Paratiniga, Benito Euclides de Moura Campos, disse que a cidade de 10 mil habitantes, no Vale do Paraíba, reivindica o título de estância há muitos anos. "Preservamos um importante acervo arquitetônico do século 19, além de muitas tradições e festas paulistas." Ele disse que outras cidades de maior peso político passaram na frente de São Luis. O prefeito de Piraju, Maurício Pinterich (PSDB), acredita que a transformação em estância ajudará a desenvolver o turismo regional. A cidade é cortada pelo Rio Paranapanema e possui várias represas de águas limpas e piscosas, com praias fluviais. A seleção olímpica de canoagem adotou Piraju como sede. O departamento de turismo de Avaré informou que a cidade, às margens da Represa de Jurumirim, um grande lago equivalente a seis baías da Guanabara, já recebe visitantes de todo o Estado e também reivindica o título há muitos anos.

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