Excesso de vôos e falta de operadores causaram atrasos

O presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, disse neste domingo que os atrasos nos vôos do País não estão sendo causados por problemas na administração do espaço aéreo, mas por "problemas de recursos humanos". "Falta gente, mesmo. Ninguém fala que falta radar, ou antena. O que falta é gente", disse. Pereira ressaltou que a falta de pessoal faz com que o sistema de controle de vôos opere com uma grande "vulnerabilidade".Ele explicou que, se por algum motivo um controlador faltar no trabalho, outro operador tem de assumir o setor dele, acumulando mais vôos para controlar, além dos 14 que cada um deles pode administrar por vez.Algumas vezes são convocados operadores que estão em seu horário de descanso, dentro do turno de trabalho, mas em outros casos, é necessário chamar operadores que estão de folga.O resultado de tudo isso é que, muitas vezes, os controladores acabam acumulando mais vôos do que os 14 que podem operar por vez. Quando isso acontece, disse o brigadeiro, eles acabam mantendo alguns aviões no chão por mais tempo, para preservar a segurança da operação.Tendo em vista os atrasos ocorridos ontem em diversos aeroportos do país, o presidente da Infraero conversou por telefone com o comandante da Aeronáutica, o também brigadeiro Luiz Carlos Bueno. "Ele me disse que eles estavam cuidando dos problemas. Estamos empenhados em minimizar esses atrasos", disse Pereira. O problema da falta de pessoal no setor de controle de tráfego aéreo foi agravado após o acidente com o avião do Gol. Por conta da tragédia, foram afastados temporariamente 10 controladores de vôo de Brasília.Para tentar resolver a situação, o governo anunciou que remanejará para Brasília 15 controladores que atuam em outras cidades. Antes de assumir as novas posições, porém, eles precisam passar por um treinamento. Na sexta-feira passada, o governo também autorizou a recontratação de 60 controladores que foram recentemente para a reserva. Mas, para assumir o cargo, esses operadores também precisarão passar por um período de treinamento. Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Proteção ao Vôo, Jorge Botelho, com a falta de pessoal e o grande volume de tráfego, a saída encontrada pelos controladores é adaptar a operação. "Se não tem gente suficiente, temos de adequar o tráfego", disse. Botelho destacou que, quando um controlador falta ao trabalho, é preciso fazer um remanejamento dos vôos. "A diminuição da equipe é um problema. Não temos ninguém na reserva, ninguém para substituir", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.