Executiva do PMDB confirma hoje Temer como vice da petista

Anúncio oficial quase foi adiado por causa da dúvida do apoio do PT a Hélio Costa na disputa pelo governo de Minas

Christiane Samarco, Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

O presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), reúne a Executiva Nacional do partido hoje, em Brasília, para sacramentar a vaga de vice na chapa presidencial da petista Dilma Rousseff.

Mas por pouco o anúncio oficial não foi adiado. Antes de confirmar a pauta da reunião, Temer teve de consultar os dirigentes regionais. Motivo: o PT mineiro adiou o encontro partidário em que o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel deve renunciar à candidatura ao governo estadual para apoiar o senador Hélio Costa (PMDB).

As disputas entre os dois partidos já haviam transformado a festa que o PMDB programara para anunciar a aliança, no último dia 15, em reunião burocrática da Executiva. Preocupado com o vaivém do PT, Temer procurou Hélio Costa ontem para reafirmar que a aliança nacional está condicionada à solução dos problemas estaduais. Temer insiste na tese de que, se não houver acordo em Minas, no Pará, na Bahia, no Maranhão e no Ceará, não há como fechar a parceria.

"Não vou abandonar os companheiros. A lealdade que me dedicaram dedicarei a vocês", disse Temer a líderes peemedebistas desses cinco Estados que o apoiaram para compor a chapa com o PT. O encontro estadual do PT foi empurrado para 19 e 20 de junho, após as convenções nacionais em que os partidos vão oficializar os nomes do vice e da candidata a presidente, dias 12 e 13 de junho.

Dúvida. Apesar das indefinições, setores do PMDB entenderam que Temer poderia ser confirmado pré-candidato pelo partido porque o nome do vice já está escolhido e ninguém no PMDB discorda. A dúvida, pondera um dirigente, é se vai ou não haver aliança. "O vice, todos sabemos quem será", diz um parlamentar do comando do partido.

O deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) - que enfrentará o PT do governador da Bahia, Jaques Wagner, na briga pela reeleição - defendeu o anúncio "já" de Temer. "Se o PT jogou a definição para o final de junho, paciência. Vamos tocar." Geddel vai sustentar na Executiva que "não dá mais para ficar vinculando prazo e alimentando fofoca". "Compromisso é compromisso, ou as consequências virão no processo eleitoral, o que é muito grave", adverte, destacando que sua afirmativa é "mera constatação que não inclui ameaça alguma".

Para jogar água na fervura, dirigentes petistas e peemedebistas afirmam que a composição da "chapa unitária" entre o PT e o PMDB mineiro será anunciada, de qualquer forma, dia 6 de junho. "Ninguém está esticando a corda", disse o presidente do PT, José Eduardo Dutra."Há um processo legítimo de negociação, pois a unidade dos dois partidos não pode ser construída artificialmente." Cauteloso, outro dirigente pondera que o PT não pode "entregar tudo sem tensionar, porque o PMDB pede os anéis, mas quer levar os dedos e a mão".

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