Executivo descobriu uma fraude antes de ser morto

Um caso de estelionato envolvendo o seguro de um Citroen no valor de R$ 49 mil, descoberto pelo executivo da Bradesco Seguros João Fernandez Muniz pouco antes de ele ser assassinado, pode ter ligação com o crime. Muniz foi o responsável pelo parecer final que vetou a cobertura. A afirmação foi feita pela viúva do superintendente-chefe da área de seguros de automóveis da Bradesco, que prestoudepoimento hoje ao delegado Ricardo Teixeira, que investiga o caso. A identidade dela está sendo mantida em sigilo porque a família foi ameaçada, assim como o executivo, que levou 6 tiros quando seguia para o trabalho, na terça-feira.A mulher, que chegou à delegacia acompanhada de um parente, disse que o marido comentara que havia negado o pagamentodos R$ 49 mil porque o dono do Citroen, um empresário do ramo de transporte alternativo, mandou que um funcionário oincendiasse, a fim de receber o dinheiro do seguro. A polícia descobriu a irregularidade e ambos estão presos. A viúva contou também que o superintendente, que chefiava uma equipe de 20 analistas, recebia processos de todo o País.Era muito correto, justo, sério e também reservado com relação ao seu trabalho. Ele investigava muitos casos em que havia suspeita de fraudes. ?O trabalho dele era de relevância, envolvia pagamento de milhões. E, quando há muito dinheiro, há também ambição, cobiça e ganância?, disse o delegado.Ela confirmou que a letra no bilhete ameaçador encontrado com o superintendente era mesmo dele. Mas disse que, pela índoledo marido, ele não escreveria algo intimidando alguém. O texto teria sido então reproduzido por Muniz ao receber uma ameaça por telefone. A viúva levou um outro papel com a grafia do executivo para que a comparação fosse feita por peritos.Além dela, também foram ouvidos hoje 5 funcionários da seguradora que trabalhavam diretamente com o superintendente.Até as 19 horas, o conteúdo dos depoimentos não havia sido divulgado. O delegado os questionou sobre processos relativos a coberturas negadas por Muniz.A viúva contou ao delegado que escapou da morte por pouco. Ela levava o marido para o trabalho de carro diariamente, mas, na manhã de terça-feira, por conta da troca de horário de um compromisso, não foi com ele. Sobre as ameaças sofridas pelo superintendente, ela disse que ele não parecia amedrontado ? na véspera de ser executado, Muniz parecia calmo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.