Exército cerca a Assembleia onde acampam PMs em greve na BA

Abastecimento de energia elétrica foi cortado; índice de violência na cidade ainda é alto

Tiago Décimo e Diego Zanchetta, de O Estado de S. Paulo,

05 Fevereiro 2012 | 22h56

O governo baiano, com o apoio das tropas federais, iniciou, na noite deste domingo (5), a tentativa de desocupação da Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador, onde policiais militares grevistas acampam, junto com as famílias, desde terça-feira, e de cumprimento de 11 mandados de prisão expedidos pela Justiça baiana contra os líderes do movimento, que estão no local.

 

O abastecimento de energia elétrica no local foi cortado, por volta das 19 horas, e as tropas federais fazem incursões no entorno do prédio, usando, entre outros veículos, os blindados Urutu do Exército, que chegaram hoje à cidade, e helicópteros. A iluminação de alguns pontos do prédio e dos holofotes instalados do lado externo é mantida por geradores de energia, usados para casos de emergência.

 

Os policiais grevistas dizem não querer confronto com as tropas do Exército ou com os 40 integrantes do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal (PF), que chegaram hoje a Salvador para cumprir os mandados de prisão, mas avisam que vão responder eventuais atos de violência com violência.

 

Cerca de 300 PMs amotinados aglomeram-se na frente da Assembleia, na noite de hoje. "Chamem seus colegas, esta é uma noite fundamental para nossa luta", disse o líder da greve, o presidente da Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), em discurso feito por volta das 21h30.

 

De acordo com ele, o comando da PM do Estado teria feito uma proposta pelo fim do movimento e da ocupação. "Falei com o coronel (Alfredo) Castro (comandante-geral da PM) e ele propôs anistia total e irrestrita a todos os companheiros grevistas, a incorporação de duas gratificações aos salários e a revogação de todos mandados de prisão, menos o meu", disse, aos PMs que estão no local. Em seguida, Prisco perguntou aos grevistas se aceitavam a proposta. Eles negaram.

 

Segundo o governo, porém, não foi feita nenhuma proposta aos amotinados. "A única proposta do governo é: voltem a trabalhar", rebateu o secretário de Comunicação, Robinson Almeida. "Os mandados de prisão serão cumpridos, mais cedo ou mais tarde. Isso já saiu da esfera do Estado, é uma determinação do governo federal."

 

Homicídios

 

Apesar da presença de mais de 1,5 mil militares e integrantes da Força Nacional de Segurança nas principais vias de Salvador e da região metropolitana, os bairros periféricos ainda registram altos índices de violência. Na região metropolitana, houve 18 casos entre as 19 horas de sábado e as 7 horas de ontem - 9 em Salvador. Desde o início da greve, na noite de terça-feira, foram 84 homicídios na região metropolitana, que teve média de 6,1 assassinatos por dia no ano passado. Dos crimes, 57 foram registrados em Salvador - que teve média de 4,2 homicídios diários em 2011.

 

Durante o dia, novos atos de vandalismo foram registrados na cidade. Duas lojas e dois supermercados foram arrombados e saqueados. No bairro periférico de Arenoso, um ônibus foi metralhado por dois homens. Já o comércio das cidades do sul baiano e as agências bancárias só vão reabrir hoje, sob a escola de 330 homens do Exército que chegaram ontem à região.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.