Exército dá prazo para investigação

CTT tem registro de funcionamento de todas as armas, o que em tese dificultaria sua utilização nas ruas

Eduardo Reina e Rodrigo Brancatelli, O Estadao de S.Paulo

07 de março de 2009 | 00h00

A direção do Centro de Treinamento Tático (CTT), que pertence à empresa de segurança Grupo Patrimonial (GP), tem 15 dias a contar de ontem para responder aos questionamentos do Exército sobre o roubo de 22 fuzis e 89 pistolas na noite de quinta-feira. Caso seja constatada alguma falta grave na segurança, está prevista uma punição que vai desde uma multa até a suspensão temporária do funcionamento ou mesmo a cassação do registro no Exército. As armas roubadas são de uso controlado e precisam de um certificado de registro dado pela 2ª Região Militar do Exército.De acordo com o coronel Cesar Augusto Moura, chefe do setor de Comunicação Social do Comando Militar do Sudeste, o próprio CTT é o responsável pela segurança do local invadido na quinta-feira. "Foi aberto um procedimento administrativo para apurar o roubo. Terão de responder em 15 dias o contexto desse roubo", disse o militar. O CTT tem registro de funcionamento de todas as armas, o que, em tese, dificultaria sua circulação pela cidade, segundo o coronel Moura - o local de treinamento é utilizado tanto por particulares quanto pelas Polícias Civil e Militar de São Paulo."Eles podem operar como empresa de instrução de tiros", disse o coronel. "O Exército realiza inspeções semanais no local. E sempre apresentaram as mínimas condições de segurança. No local há cofre, trancas, alarme e tinham de fazer a segurança móvel com viaturas. Queremos saber como isso estava sendo feito e como os ladrões conseguiram entrar lá e levar o armamento." Ao todo, foram levadas 111 armas, sendo 12 fuzis - dos calibres 7.62 e dez calibre 5.56 -, além de 89 pistolas de calibre .40 e 380. O Exército não confirma o roubo de munição.A direção do Grupo Patrimonial (GP) informou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que não comentará as declarações do secretário estadual de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, em relação à falta de segurança do local. Também não comentou sobre o procedimento administrativo aberto pelo Exército e nem recebeu notificação a respeito. Não falou sobre a punição que poderá sofrer. "O CTT está empenhado em auxiliar as autoridades em suas investigações e fará o que estiver ao seu alcance para recuperar os armamentos e identificar os bandidos", diz nota.O centro de treinamento, segundo sua assessoria, ocupa uma área de 30 mil metros quadrados dentro da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), "que é a responsável pela segurança da propriedade - cerca de 2 milhões de metros quadrados", e que "o prédio onde as armas estão estocadas tem todas as certificações exigidas pelo Ministério da Defesa - Exército - e demais autoridades". Na versão da empresa para o roubo, "um funcionário administrativo foi rendido por bandidos ao final do expediente e levado de volta ao prédio". "A segurança local, ao notar uma movimentação fora do normal, contatou o funcionário, que sob a mira de armas, deu a contrassenha necessária. Mas alertou os bandidos que os agentes de segurança e a polícia, apesar da contrassenha, estariam no prédio em 15 minutos. Por essa razão, os ladrões tiveram pouco tempo para agir e deixaram para trás boa parte dos armamentos estocados."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.