Exército investiga militares no caso das armas roubadas

A localização das armas roubadas do Exército no Rio, há 12 dias, aconteceu depois que as tropas já haviam deixado a Rocinha, ocupada nesta terça-feira entre as 10h e as 19h, por 300 soldados e 60 homens do Bope. Os dez fuzis e a pistola estavam num matagal, encontrado graças a uma denúncia anônima. Até o fim da tarde, o Disque-Denúncia havia recebido 945 ligações com informações sobre o roubo da pistola e dos fuzis. Em algumas denúncias, surgiu o nome de militares e ex-militares que estariam envolvidos com o crime. "Estamos averiguando todas as informações", disse Lemos.À tarde, o Comando Militar do Leste (CML) já dizia ter indícios de que as armas roubadas permaneciam no Rio. "Pelos informes, telefonemas ao Disque-Denúncia, tudo indica que estão aqui. Na semana passada havia indícios de que poderiam ser conduzidas para fora da cidade, mas nós achamos que elas estão no Rio. Tanto que não fizemos operações fora da cidade", afirmou o coronel Fernando Lemos, assessor de Imprensa do CML.Um centro de comando das operações foi montado de manhã no Centro de Cidadania Rinaldo de Lamare, em frente ao morro. Antenas de rádio foram instaladas no topo do prédio. Apesar da presença dos soldados e PMs, de dois carros de combate - um deles com o canhão apontado para os barracos - e de dois veículos blindados do Bope, os moradores circularam normalmente pelas ruas e o comércio funcionou o dia todo. Entretanto, veículos de lotação e ônibus escolares não puderam rodar.Os militares ocuparam também a favela Curral das Éguas, na zona oeste, por volta das 6 horas. Trezentos homens tomaram ruas, vielas e uma passarela que dá acesso à favela. Metade do efetivo serviu nas tropas de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti. Seis veículos blindados e um helicóptero reforçaram a operação. Com cães, os militares cumpriram quatro mandados de busca. Não houve confronto e nada foi encontrado. A tropa deixou o local no início da tarde.Substituição de forçasO Exército não assumirá o papel da polícia no Rio e voltará aos quartéis após a recuperação das armas, disse à tarde a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff - antes de o arsenal ter sido localizado. Segundo ela, a União tem, para auxiliar os Estados no combate à criminalidade, a Força Nacional de Segurança Pública, formada por policiais militares de todo o País. Mas, para enviá-la, depende legalmente de um pedido de ajuda estadual - o que, no caso fluminense, não aconteceu.Já está acertado que a Força atuará no Estado nos Jogos Pan-Americanos de 2007, mas o esquema da operação ainda não foi definido. "Acredito que é necessária uma atitude em relação à segurança pública", disse Dilma, após participar de painel no Fórum Saúde e Democracia, em Copacabana.RecepçãoOs traficantes reagiram à investida militar com deboche e ousadia. Reunidos em lajes, exibindo fuzis, granadas e radiotransmissores, eles soltaram fogos de artifício, detonaram explosivos e atiraram para o alto. Um adolescente foi preso. Não chegou a haver confronto na Rocinha, segundo informou o CML. Mas os criminosos, que escondiam o rosto com camisetas, não se intimidaram. Pelo rádio, os bandidos zombavam e ofendiam os militares, que respondiam - assim como fazem os PMs no dia-a-dia nos morros cariocas.À tarde, um rapaz de 16 anos, que seria traficante, foi baleado na perna e levado para o hospital. O CML informou que ele não foi ferido por militares. O adolescente foi preso. Um soldado também se feriu, mas acidentalmente - deu um tiro no pé.(Colaborou: Wilson Tosta)

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