Exército investiga seqüestradores de Olivetto

O Exército brasileiro está investigando o grupo responsável pelo seqüestro do publicitário Washington Olivetto. Oficiais da Inteligência do Exército estiveram na Divisão Anti-Seqüestro (DAS) de São Paulo recolhendo dados sobre o caso, uma ação dos grupos chilenos Frente Patriótica Manuel Rodrigues (FPMR) e Movimento de Esquerda Revolucionário (MIR), da qual pode ter participado o Exército de Libertação Nacional (ELN), segundo maior grupo da guerrilha colombiana. Os oficiais do Exército apresentaram-se em trajes civis. Eles também mantiveram contato com a Polícia Federal e obtiveram cópias de documentos e de fotos apreendidas, publicadas hoje pelo Estado, nas quais os seqüestradores presos em Serra Negra aparecem descontraídos, que mostram os foragidos, militantes dos grupos e pessoas ligadas a eles. Desde os atentados de 11 de setembro, a inteligência militar retomou contatos com órgãos estrangeiros a fim de recolher informações sobre a atuação na América do Sul de grupos tidos como terroristas. Outro fator de preocupação do Exército é a possibilidade de a guerrilha colombiana usar o Brasil como base para o tráfico de armas e operações para arrecadas fundos, como seqüestros. A suspeita de participação do ELN no seqüestro é baseada no fato de dois dos seis presos serem colombianos: Marta Urrega e Willian Gaona Becera. Nas fotos, Marta aparece com uma mulher suspeita de tomar conta do cativeiro. Becera teve o pai morto por paramilitares de direita na Colômbia. Além disso, o chileno Alfredo Augusto Canales Moreno, principal militante do MIR preso, passou dois anos naquele país lutando no ELN, grupo com o qual sua facção dentro do MIR, chamada Exército Geral dos Pobres-Pátria Livre (EGP-PL), mantém contato. Com os presos foi achado ainda um manual de instrução militar do ELN. Apesar disso, os seqüestradores negam a participação da guerrilha colombiana. Na época do caso Diniz, em 1989, os homens da inteligência do Exército sabiam antes da polícia que os envolvidos no seqüestro pertenciam ao MIR e tinham relações com o grupo que havia atacado um ano antes o quartel de La Tablada, na Argentina. De fato, Enrique Gorriaràn Merlo, líder daquele grupo, era um dos chefes do Exército Revolucionário do Povo (ERP), grupo argentino ao qual pertencera Humberto Paz, líder do seqüestro de Diniz, antes de aderir ao MIR. No caso Olivetto, uma argentina foi presa. Karina Lopez, que é filha de um militante político desaparecido durante a ditadura militar argentina, negou que soubesse do seqüestro e disse que só acompanhava os amigos. A polícia descobriu que ela comprou os carros usados pelo grupo. Suspeita-se que ela tenha sido recrutada na Argentina, onde a FPMR mantém empresas fantasmas. A DAS de São Paulo investiga ainda a participação da FPMR no seqüestro do publicitário Geraldo Alonso, em 1992. O líder máximo da frente, Galvarino Sérgio Apablaza Guerra, o Comandante Salvador, foi reconhecido como tendo participado do crime contra Alonso. ParaguaiA ação da FPMR está sendo investigada também no Paraguai. Policiais daquele país estiveram em São Paulo para obter informações sobre os seqüestradores de Olivetto, principalmente sobre Maurício Hernández Norambuena, o Comandante Ramiro. A polícia daquele país investiga uma possível participação da FPMR no seqüestro de Maria Edith Debernardi, nora de Enzo Debernerdi, ex-ministro da Fazenda do Paraguai. Ela passou 64 dias no cativeiro, de novembro a janeiro passados, e foi solta após o pagamento de US$ 2,25 milhões de resgate. Nas investigações, policiais paraguaios foram acusados de seqüestrar e torturar suspeitos, num escândalo que levou à queda dos ministros do Interior e da Justiça. A polícia acusa pelo seqüestro membros do grupo de esquerda Movimento Pátria Livre e suspeita que eles tenham relações com a FMPR. Além de Norambuena ter estado no Paraguai usando um passaporte falso pouco antes do seqüestro de Maria Edith, a polícia descobriu que Pablo Hoffman, da FPMR, entrou no país em 13 de dezembro. Hoffman é suspeito no seqüestro de Olivetto, pois com Norambuena foram achadas fotos suas para a confecção de documentos. Há 20 dias, policiais chilenos foram ao Paraguai colher informações sobre o caso. ExtradiçãoA decisão do governo chileno de pedir a extradição de Norambuena obrigará o governo brasileiro a decidir se entrega o acusado imediatamente, liberando-o de cumprir pena no País, ou se ele viajará após pagar pelo seqüestro de Olivetto. O Supremo Tribunal Federal (STF) costuma negar extradições quando há risco de o acusado ser morto ou sofrer perseguição política em seu país. No caso de Norambuena, integrantes do Supremo já disseram informalmente que o STF deve conceder a extradição.

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