Exército nas ruas é aprovado por 68% dos internautas

Em meio a mais uma crise de segurança em São Paulo, a terceira do ano, após os recentes ataques atribuídos à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado, 68% de um total de 2719 internautas se dizem favoráveis à presença de tropas do Exército em São Paulo, de acordo com apuração final da enquete realizada no Portal Estadão.com entre os dias 8 e 10 de agosto. São contrários à convocação do Exército 553 leitores, ou 31%."O governo já deveria ter procurado a ajuda do Exército para confortar os cidadãos e assim dar um basta nestes ataques", defende a internauta Tabata Grandis. Para ela, o governo do Estado já deveria ter tomado medidas mais severas desde os primeiros ataques em maio, mas em vez disso, "ficaram tentando amenizar a situação".A opinião da maioria contradiz a decisão do governador de São Paulo, Claudio Lembo, que já recusou várias vezes a oferta do governo federal quanto ao envio das tropas para conter o crime organizado no Estado. "O Exército é uma tropa nobre, que deve ser preservada para defender a soberania nacional, e não para fazer guarda de muralhas de presídios", disse o governador, em entrevista coletiva na quarta-feira, após um encontro no Palácio dos Bandeirantes com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). Há os que discordem de Lembo. A proposta de colocar o Exército como guarda de muralhas chegou a ser defendida pelo Secretário da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu, e pelo tucano José Serra, candidato ao governo de São Paulo. Para 976 de 2622 pessoas que deram sua opinião, o Exército deveria ser convocado para realizar o policiamento nas ruas. Outros 31% concordam com Saulo e Serra, optando pela convocação do Exército para cuidar da segurança nos presídios. O restante gostaria de ver o Exército participando de ocupação de favelas ou de outras tarefas com 560 e 266 indicações, respectivamente. Entre essas outras tarefas, um leitor, que preferiu não se identificar, dá a sua sugestão. "Na minha opinião a única tarefa que o Exército poderia desenvolver seria de caráter social, oferecendo serviços de saúde nas favelas. No mais, de acordo com um comentário recente de um representante das Forças Armadas, o Exército não está preparado para exercer as funções da polícia". Entre os oficiais das Forças Armadas, a questão também gera polêmica. Embora não se neguem a cumprir ordens, os militares temem que uma ação na capital pode ser explorada na campanha eleitoral para a presidência. Apesar das resistências, já foram feitos estudos e planos para a atuação das tropas no Estado, tão logo sejam convocados. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai tentar mais uma vez convencer Lembo a aceitar a ajuda, em reunião marcada para esta sexta-feira, 11, na Base Aérea de São Paulo.Em uma outra questão da enquete, 71% dos internautas, de um total de 2719, culpam o governo de São Paulo por mais essa onda de ataques. Outros 61%, de 2730, acreditam que a falha é do governo federal.

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