Exército remove dois corpos de vítimas do acidente da Gol

Equipes da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Exército conseguiram neste domingo remover os dois primeiros corpos de vítimas do acidente envolvendo o Boeing 737-800, com 155 pessoas a bordo, que fazia o vôo 1907 da Gol, entre Manaus e Rio, com escala em Brasília. Em nota oficial, o Comando da Aeronáutica informou que não há sobreviventes. A identificação começará a ser feita na Base Aérea de Cachimbo, no Pará, mas os trabalhos podem ser estendidos a Cuiabá (MT) e Brasília (DF), nos casos em que for necessário exames de DNA. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmou que houve uma colisão entre o avião e o jato Legacy, fabricado pela Embraer, no acidente da tarde de sexta-feira.Segundo a diretora da Anac Denise Abreu, técnicos da comissão que apura as causas do acidente chegaram a essa conclusão depois de começar a ouvir o conteúdo das duas caixas-pretas do Legacy, que estão em São José dos Campos (SP), sede da Embraer. "As informações dessas caixas precisam ser cruzadas com as caixas-pretas do Boeing, que ainda não foram recuperadas. O que dá para afirmar até agora é que houve uma colisão", disse ela.É a primeira vez que a Anac se refere ao acidente como um choque entre aviões. Antes, tratava essa hipótese como "especulação". Apenas o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, admitia essa possibilidade desde sábado.A hipótese de colisão é reforçada por depoimentos de testemunhas do desastre aéreo, o maior já registrado no País. Um funcionário da Fazenda Jarinã, usada pela Força Aérea e pelo Exército como base de operações, contou ao gerente da propriedade, Nilton Bicalho, que ouviu "um grande estrondo". Em seguida, viu o avião da Gol "se movimentando bruscamente, rodopiando e despencando". Imagens divulgadas pela FAB mostram o Boeing de cabeça para baixo, com o dorso, onde fica o trem de pouso, para cima. Isso indicaria que o avião deu pelo menos uma cambalhota, antes de atingir o chão. O Legacy, por sua vez, perdeu parte da asa esquerda e o profundor.QuestõesSão três as questões que ainda intrigam os peritos da Aeronáutica para explicar as causas do acidente. Eles precisam saber o que levou a tripulação do Legacy a mudar de rota, o motivo pelo qual ela não respondeu aos alertas por rádio feitos pelo operadores do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Tráfego Aéreo (Cindacta-1) e porque os equipamentos anticolisão das aeronaves, conhecidos como TCAS, não deram o alerta.FamíliasEm Brasília, parentes e amigos das vítimas se revoltaram com a falta de informações sobre as operações de busca. Um grupo de mais de 30 pessoas fez um protesto no aeroporto da capital federal, no fim da tarde. Eles exigiam uma audiência com representantes da Anac. A agência informou às famílias que, a partir de amanhã, divulgará aos parentes dois boletins diários sobre as operações de busca.

Agencia Estado,

01 de outubro de 2006 | 22h59

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